O governo federal intensifica o debate público sobre uma proposta transformadora para o mercado de trabalho brasileiro. A iniciativa visa reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e, crucialmente, eliminar a escala de trabalho 6×1.
A meta é substituir o modelo atual por uma jornada 5×2, que prevê cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso. Essa revisão busca proporcionar maior qualidade de vida à população, ampliando o tempo disponível para lazer e descanso dos trabalhadores.
Para Denise Ulisses, cobradora de ônibus no Distrito Federal há 15 anos, a realidade da escala 6×1 é exaustiva, com folga apenas aos domingos. Ela sonha com a mudança, imaginando mais tempo para a família e para desfrutar de momentos de lazer, como viagens de fim de semana.
A sobrecarga da dupla jornada
A pauta do fim da escala 6×1 é uma prioridade para o governo, especialmente por seu impacto desproporcional sobre as mulheres. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, destaca que a carga de trabalho do 6×1 se soma à “dupla jornada” feminina.
Essa dupla jornada envolve não apenas o trabalho remunerado, mas também a responsabilidade majoritária pelo trabalho doméstico não remunerado. Dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE confirmam essa disparidade.
Mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, quase o dobro das 11,7 horas dedicadas pelos homens. A situação é ainda mais grave para mulheres pretas e pardas, que dedicam 1,6 hora a mais por semana do que as mulheres brancas.
Sandra Kennedy, secretária do Ministério das Mulheres, enfatiza que a redução da jornada é um passo fundamental para combater a sobrecarga feminina. Ela aponta a desigualdade de gênero como uma questão estrutural que precisa ser revista pela sociedade.
A expectativa é que a transição para a jornada 5×2 estimule uma divisão mais equitativa das tarefas domésticas. Kennedy ressalta que o cuidado deve ser compartilhado entre homens e mulheres, permitindo que os homens tenham mais tempo para participar ativamente da vida familiar.
Essa mudança é crucial para a saúde e o desenvolvimento feminino. A sobrecarga atual tem levado muitas mulheres ao adoecimento, limitando seu tempo para estudo, qualificação profissional e engajamento em atividades pessoais e sociais.
































































































