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Dia da África: Brasil amplia agenda de integração com países africanos

Por Redação / Diário da Nação
25 de maio de 2026
em Mundo
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Dia da África: Brasil amplia agenda de integração com países africanos

📷 Ricardo Stuckert/PR

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Baixo Guandu (ES) – Esta segunda-feira (25) é lembrada como Dia da África, data que encontra o Brasil com as relações no continente em evidência no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa faz parte de uma estratégia para diversificar parceiros comerciais e, ao mesmo tempo, fortalecer laços culturais, diplomáticos, científicos e históricos com países africanos.

Na atual gestão, Lula realizou sete viagens à África. Foram duas à África do Sul e visitas a Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. Nos últimos três anos, o Brasil também tem fechado acordos com nações africanas em temas como agricultura, aviação civil, defesa, saúde, educação e turismo, entre outros.

O movimento se apoia ainda em encontros bilaterais em Brasília. Neste mandato, o presidente recebeu seis chefes de Estado africanos no Palácio do Planalto, com assinaturas de acordos e memorandos de entendimento. Entre eles estavam Patrice Talon, do Benim, Bola Tinubu, da Nigéria, e João Lourenço, de Angola.

Relações históricas e memória

Há uma ligação histórica que atravessa séculos. O Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados: cerca de 4,8 milhões dos 12 milhões de pessoas sequestradas do continente entre os séculos 16 e 19. Essa trajetória ajuda a explicar a intensidade do vínculo com Angola, por exemplo, ainda no período colonial.

Quando Dom Pedro I declarou a independência, a elite comercial instalada em Luanda e Benguela — cidades portuárias controladas pelos portugueses — passou a defender a anexação de Angola ao Brasil recém-independente. Já no presente, o Ministério da Cultura assinou, em abril deste ano, acordos com Angola para integrar arquivos históricos sobre a escravidão e ampliar cooperação em cultura e artes.

O secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, disse à Agência Brasil que o maior protecionismo dos países desenvolvidos, somado às afinidades histórico-culturais do Brasil com a África, ajuda a ampliar as parcerias. “É um continente muito variado e com muitas oportunidades econômico-comerciais que o Brasil tem procurado aproveitar”, afirmou.

Ele também lembrou que a África tem apresentado bons índices de crescimento: são 1,5 bilhão de habitantes, com mais de 60% abaixo dos 25 anos. Para marcar o Dia da África, o Itamaraty realiza hoje um seminário sobre parceria entre países. Ainda nesta segunda-feira, Lula participa do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, organizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Reconhecimento na ONU e instituições no Brasil

Na cerimônia no Itamaraty, o decano do corpo diplomático africano em Brasília, embaixador de Camarões Martin Agbor Mbeng, agradeceu o voto do Brasil na ONU para reconhecer a escravidão de africanos como o maior crime contra a humanidade da História. Para ele, instituições brasileiras como Fiocruz, Embrapa, CNPq e o Instituto Brasil-África têm contribuição relevante para o continente.

Mbeng destacou que essas entidades podem construir programas com parceiros africanos “não para a África, mas com a África”. A diferença, segundo o diplomata, é decisiva: uma parceria “significa planejamento compartilhado, responsabilidade e prestação de contas compartilhadas”.

O embaixador também elogiou a defesa brasileira do sistema multilateral de comércio baseado em regras, em especial na Organização Mundial do Comércio (OMC), que, segundo ele, vem sendo esvaziada pela atuação dos Estados Unidos.

Comércio e números de 2025

Mesmo com a relação histórica, a África respondeu por apenas 5,70% do fluxo comercial do Brasil em 2025. No total, foram US$ 23,7 bilhões em corrente comercial, com superávit de US$ 7,2 bilhões para a balança brasileira. Em comparação, a Europa representou 31,95% do comércio exterior do país, enquanto a América do Sul ficou com 17,28%.

O secretário do Itamaraty para África, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, apontou que, nos últimos anos, o comércio com o continente vem melhorando, mas pode crescer mais. “Existe um certo desconhecimento que também precisa ser vencido, de oportunidades lá e de oportunidades aqui”, disse, citando eventos como complemento da atividade política conduzida pelo governo.

Os dados também mostram avanços. Desde 2020, primeiro ano da pandemia, o comércio do Brasil com a África cresceu 52%. Em 2025, houve queda de 2,3% em relação a 2024. Já comparado a 2023, primeiro ano do governo Lula, o crescimento do comércio com o continente foi de 16%.

Quem avalia a integração

A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Elga Lessa de Almeida, apontou que o cenário atual é menos favorável à integração Brasil-África por causa das condições econômicas. Segundo ela, nos primeiros governos Lula, a linha de financiamento de internacionalização de empresas — especialmente no setor de infraestrutura, como Petrobras e Odebrecht — ajudava a sustentar atuação nesses países.

Elga Lessa ponderou que, no momento atual, os aportes não têm o mesmo peso. “No atual momento econômico, você não tem um aporte tão expressivo na cooperação para o desenvolvimento para grandes projetos dentro do continente”, completou. Já o pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), Eden Pereira Lopes da Silva, avaliou que entre 2017 e 2022 houve um fim da política para África que vinha sendo construída desde o final da década de 1970.

Para Eden Pereira Lopes da Silva, o governo Lula 3 conseguiu retomar laços e diálogo com alguns países do continente africano, com “algum sucesso”, segundo ele, ao retomar uma agenda que havia sido interrompida.

Ciência e tecnologia: ProÁfrica volta a ter editais

Na área de ciência, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) anunciou nesta segunda-feira o relançamento do Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia ProÁfrica. O programa estava sem editais lançados desde 2011.

A iniciativa, liderada pelo CNPq, prevê investimento de R$ 25 milhões para fortalecer cooperação científica, tecnológica e de inovação entre o Brasil e países africanos em meio ambiente, sustentabilidade, alimentação, agricultura, energia, recursos naturais, saúde e também temas culturais. A ministra Luciana Santos afirmou que a publicação do edital foi possível graças à decisão do presidente Lula de liberar recursos para ciência, tecnologia e inovação.

“Queremos ser um instrumento concreto desse compromisso do nosso governo, aproximando as comunidades científicas, desenvolvendo tecnologias conjuntamente e criando soluções inovadoras que respondam aos desafios comuns que temos no Brasil e no continente africano”, disse Luciana no Seminário do Dia da África, no Itamaraty. Em abril deste ano, o MCTI publicou outro edital com investimentos de R$ 50 milhões para capacitação de aproximadamente 2 mil técnicos, pesquisadores, estudantes e agricultores, voltada à promoção de soluções baseadas em ciência e tecnologia para produtividade agrícola e segurança alimentar.

O pesquisador Eden Pereira ponderou que a agenda brasileira deve priorizar a cooperação no combate aos impactos da mudança climática na agricultura. “O Brasil tem empresas como a Embrapa que podem desenvolver soluções no sentido de elevar a capacidade agrícola de alguns países na África que enfrentam o dilema de terem capacidade produtiva na agricultura restringida”, comentou.

Tags: ÁfricaAgendabaixo guandubrasilbrasil ampliadata queDiplomaciaesta segundafeiraIntegraçãointegração comlembrada comoLulaPaíses Africanos
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