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Estado pede perdão por desaparecimento de ex-estudante da UnB durante a ditadura militar

Cerimônia na Universidade de Brasília buscou reparar a memória de Paulo de Tarso Celestino, vítima da repressão há quatro décadas

Por Redação / Diário da Nação
4 de julho de 2026
em Sociedade
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Estado pede perdão por desaparecimento de ex-estudante da UnB durante a ditadura militar

📷 Agência Brasil/Fernando Frazão

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Brasília (DF) – Quase 45 anos depois do início de um vazio que nunca se fechou, o governo brasileiro formalizou um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva. O ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB), que tinha apenas 27 anos quando foi alvo da repressão, teve sua trajetória rememorada em um ato na instituição que frequentou. O encontro reuniu familiares, colegas de curso e representantes de órgãos dedicados à reparação histórica.

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania justificou a solenidade como um gesto necessário de reparação, tanto para a família, diretamente atingida pelos anos de silêncio, quanto para o conjunto da sociedade brasileira. Filho de Pedro Celestino da Silva — deputado federal que teve o mandato cassado pelo AI-5 —, Paulo de Tarso era natural de Morrinhos, em Goiás. Após concluir a graduação em 1969, ele seguiu para uma pós-graduação na Sorbonne, na França, mantendo sua militância na Ação Libertadora Nacional (ALN).

A vida do jovem foi interrompida em 12 de julho de 1971. Naquela data, ele e Heleny Ferreira Telles Guariba foram detidos por agentes do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro. Informações levantadas posteriormente revelaram o destino cruel que se seguiu à captura: Paulo foi transferido para um centro clandestino sob comando do Centro de Inteligência do Exército em Petrópolis, o local que ficou conhecido como a Casa da Morte.

O relato da ex-presa política Inês Etienne Romeu descreve o cenário de horrores que o estudante enfrentou. Durante 48 horas, ele teria sido submetido a sucessivas sessões de tortura por agentes identificados pelos codinomes Dr. Roberto, Laecato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão. Entre as brutalidades, Inês descreveu o uso do pau-de-arara e a ingestão forçada de sal, enquanto a vítima pedia desesperadamente por água.

Investigações da Comissão da Verdade e da Comissão de Mortos e Desaparecidos indicam que o destino final dos prisioneiros executados naquele centro clandestino envolvia o esquartejamento dos corpos, uma estratégia deliberada para impedir qualquer identificação futura. A Lei 9.140, de 1995, já havia reconhecido formalmente o óbito de Paulo de Tarso, classificando-o como uma das vítimas da violência cometida pelo Estado.

A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, classificou o desaparecimento como um dos rostos mais severos do autoritarismo. Em seu discurso, pontuou que a falta de respostas sobre os restos mortais da vítima obstrui o luto familiar e mantém aberto um desafio coletivo pela verdade. Para a ministra, as sequelas do período ditatorial não foram apagadas com a redemocratização, permanecendo como traumas que atravessam gerações.

A reitora da UnB, Rozana Naves, destacou que a memória de Paulo de Tarso simboliza a resistência necessária da vida acadêmica. Segundo ela, a universidade pública, em sua essência, deve ser um espaço de defesa da liberdade e do pensamento crítico — valores que foram combatidos à época. O ato encerrou um ciclo de ausências, reafirmando que o compromisso com a justiça e a democracia segue como parte indispensável da produção científica e social do país.

Tags: anos depoisBrasíliaDesaparecimentoDireitos HumanosDitadura Militarduranteestado pedeestudanteinícioPaulo de Tarsoperdão porquasereparação históricaUnB
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