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Rio Cello retorna à cena carioca com programação ocupando espaços icônicos pela cidade

Maior festival de violoncelos do país celebra 32 anos misturando música de concerto, dança e projetos educativos até o dia 16 de setembro

Por Redação / Diário da Nação
8 de agosto de 2026
em Cultura
3 mins read
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Rio Cello retorna à cena carioca com programação ocupando espaços icônicos pela cidade

📷 Divulgação

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Rio de Janeiro (RJ) – O Rio Cello, reconhecido como o mais importante evento dedicado ao violoncelo no Brasil, inaugura neste sábado, dia 8, sua 32ª edição. O festival, que se estende até o domingo, 16 de setembro, abandona o formato tradicional de salas fechadas para espalhar música de concerto por diversos pontos da capital fluminense, com acesso gratuito ao público.

A abertura ocorre nos jardins do Museu da República, no Catete, unindo a música brasileira à dança. A coreógrafa e bailarina Chris Cecconelo presta uma homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A performance ganha corpo com o violoncelista Lui Coimbra, em sua estreia no evento, ao lado dos violinistas Karolin Broosch e Thiago Cosmo. A regência do maestro Jonas Hammar conduzirá ainda o grupo Amores do Rio, a Camerata Laranjeiras e os corais Cantos da Urca e Cantos do Largo.

O alcance geográfico desta edição é amplo. Além do Museu da República, o roteiro inclui o Espaço Cenáculo, no Flamengo; a Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa; a imponente Igreja de Nossa Senhora da Candelária, na Praça Pio X; e a Sala Cecília Meireles, no Centro.

Idealizado pelo inglês David Chew, que reside no país há mais de quatro décadas, o festival nasceu com um propósito claro: popularizar a música clássica e reverenciar o legado de Heitor Villa-Lobos. A origem do projeto, contudo, é marcada por um momento traumático na história do Rio: a chacina da Candelária. Naquela época, Chew, então integrante da Sinfônica Brasileira, sentiu o impacto da violência urbana ao tentar prestar assistência musical a uma criança sobrevivente do massacre. O episódio foi o gatilho para reunir amigos músicos e criar uma plataforma de impacto social por meio da arte.

A renovação desta edição passa pelo estreante Cello Kids. No dia 15, o Museu da República abre espaço para a Escolinha de Música Rio Cello, além de oficinas voltadas para jovens cellistas e uma apresentação do Coral das Marés. Paralelamente, o festival celebra duas décadas do Cello Dance, projeto que, ao longo dos anos, ocupou desde estações de metrô até palcos improvisados em praças, sempre convidando a plateia a integrar a narrativa artística.

O encerramento, previsto para a manhã do dia 16, reserva um momento de retorno aos palcos para Bettina Dalcanale. Aos 64 anos e afastada da dança clássica há 15, a ex-solista do Theatro Municipal interpreta a obra O Canto do Cisne Negro, de Villa-Lobos, acompanhada pelo violoncelo de David Chew. Para ela, o desafio vai além do físico — a apresentação, descalça sobre a grama do museu, é uma forma de compartilhar sua trajetória artística com a neta de cinco anos.

Ao longo de sua existência, o evento contabiliza a participação de 10 mil artistas em mais de 500 locais distintos. O espírito de diversidade se mantém na Violonsalada, marcada para o dia 15 na Sala Cecília Meireles, um formato improvisado que sintetiza a energia de cada edição. Para Chew, o sucesso não se mede apenas pela técnica, mas pela oportunidade de levar crianças de comunidades para conhecer templos da cultura como o Museu do Amanhã e o próprio Theatro Municipal.

A viabilização financeira, que nos primórdios dependia de contatos diretos com embaixadas e consulados, hoje é ancorada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da prefeitura do Rio. O projeto também se prepara para integrar a Semana de Artes do Rio, estendendo suas atividades até o dia 20 de setembro.

Tags: eventos culturaisMúsica ClássicaRio CelloRio de Janeirovioloncelo
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