Ceilândia (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom do discurso eleitoral ao realizar um ato de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, nesta semana. A cerca de 30 quilômetros do coração administrativo de Brasília, o petista aproveitou o palanque para reafirmar posições sobre temas sensíveis, como a economia e os direitos trabalhistas que ocupam o debate no Senado Federal.
Uma das bandeiras levantadas pelo candidato foi o apoio explícito à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da atual escala de trabalho 6×1 — aquela em que o funcionário labora seis dias seguidos e descansa apenas um. Em seu discurso, Lula defendeu a transição para um modelo de cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de folga, posicionando a medida como um ganho essencial para a qualidade de vida do trabalhador.
A retórica do presidente durante o evento não se limitou à pauta laboral. Ele direcionou ataques diretos à composição de forças de seus opositores. Em um momento de maior tensão no discurso, Lula rejeitou a ideia de que o comando do país pudesse ser entregue a aliados que vinculou ao Banco Master ou a familiares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O petista usou essas figuras como símbolos de uma governança que, segundo ele, estaria distante dos interesses populares.
Ainda na ofensiva, o candidato aproveitou o ato para associar seus rivais a uma suposta submissão estrangeira. “Do outro lado, estão aqueles que amam a bandeira americana”, disparou, enquanto segurava a bandeira do Brasil como um símbolo de resistência e soberania nacional. Para ele, a disputa eleitoral atual coloca frente a frente os que defendem a exploração das riquezas brasileiras por capitais externos e aqueles que, na sua visão, garantem que os recursos naturais permaneçam sob o controle do povo brasileiro.
Acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva e dos candidatos locais à chapa do Governo do Distrito Federal, Leandro Grass e Dora Gomes, o presidente buscou imprimir um tom de campanha de rua clássica. Em um momento mais leve, projetou os próximos passos da corrida eleitoral. Com uma agenda que inclui um ato já confirmado para este sábado (10) em Natal, Lula admitiu que a disputa migrou de vez para as redes sociais e para a TV, brincando com a nova rotina de produção de conteúdo digital: “Agora, estou virando rei da selfie!”.
Ao encerrar sua participação, o petista tentou consolidar o discurso de que o cenário político não será dominado por figuras ligadas ao que classificou como “fascismo” ou negligência na condução da pandemia de covid-19. A estratégia é clara: forçar o eleitor a enxergar a escolha das urnas não apenas como uma troca de comando, mas como uma decisão entre projetos distintos de soberania e ética na gestão pública.












