Vitória (ES) – O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para 8 de novembro, coloca a capacidade de leitura e análise no centro da avaliação. Na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, o desempenho dos candidatos depende menos da memorização mecânica e mais da habilidade de processar informações sob a ótica de uma matriz de referência estável, mantida desde 2009.
A previsibilidade é, paradoxalmente, a maior aliada do estudante. Ao analisar edições anteriores, torna-se evidente que a estrutura das questões é recorrente. Mais de um terço da prova orbita em torno de gêneros textuais variados, como charges, artigos de opinião, resenhas, letras de música e conteúdos digitais. Embora o suporte — o texto em si — varie, a competência exigida do aluno permanece constante.
Para Pedro Augusto Rocha Rodrigues, 18 anos, a quantidade de leitura representa o maior obstáculo prático. O volume de dados para digerir exige técnica. O conselho dos especialistas para contornar essa exaustão é simples: ignorar o texto inicialmente e pular direto para o comando da questão. Ao saber exatamente o que a banca solicita, o candidato direciona seu foco, evita releituras inúteis e ganha tempo precioso.
Nesta fase de revisão, a atenção deve se voltar para a coesão textual, especialmente no papel dos conectores — como “contudo”, “portanto” e “embora” — que articulam o sentido das frases. Em Literatura, a chave é conectar o movimento histórico às intenções dos autores. O modernismo, com suas fases iniciais, o realismo de Machado de Assis e as pautas sociais contemporâneas, representadas por nomes como Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, são eixos fundamentais para quem busca uma pontuação alta.
As provas de língua estrangeira seguem uma lógica própria. No Inglês, a interpretação transcende o vocabulário básico. O exame explora a relação entre textos, diagramas e imagens, testando a compreensão de mensagens globais em detrimento de regras gramaticais isoladas. Poemas, inclusive, tornaram-se presenças frequentes nas provas mais recentes.
Já para quem optou pelo Espanhol, o cuidado deve ser redobrado com os falsos cognatos. O professor Júlio Manuel Sanchez Tello exemplifica o perigo com o termo “esquisito”, que em espanhol remete a algo requintado ou saboroso, distanciando-se do sentido de raridade usado no português. A prova de Espanhol é majoritariamente interpretativa, com gramática e sintaxe ocupando espaços marginais, focando, em vez disso, no uso contextual de sinônimos e antônimos.












