Buenos Aires, Argentina – O centro de Buenos Aires foi palco de uma mobilização tensa nesta quinta-feira (15), quando centenas de estudantes, docentes e pesquisadores marcharam contra a política de austeridade aplicada pelo governo de Javier Milei ao setor educacional. O ato, que visava pressionar pelo cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, acabou encerrado abruptamente por um confronto direto em frente ao Congresso Nacional.
A pauta central do movimento reside na aplicação de uma norma já aprovada pelo Parlamento, mas que permanece travada pelo Executivo argentino, ignorando inclusive determinações judiciais. Enquanto a marcha seguia seu trajeto, tumultos isolados serviram de estopim para uma resposta enérgica das forças de segurança. A utilização de gás lacrimogêneo atingiu não apenas os envolvidos na confusão, mas também reitores, pesquisadores e funcionários técnicos que participavam do ato.
A Universidade de Buenos Aires (UBA) reagiu rapidamente ao episódio. Em nota, a instituição condenou a violência, ao mesmo tempo em que ressaltou que os pequenos grupos responsáveis pelos distúrbios não condiziam com o tom majoritariamente pacífico da caminhada. Para a reitoria, o emprego da força policial foi desproporcional. A UBA enfrenta atualmente um cenário crítico, com uma defasagem salarial que chega a 30% sob a gestão de Milei, afetando diretamente uma comunidade composta por mais de 300 mil estudantes.
Não foi apenas na capital que a tensão se fez presente. Mobilizações com reivindicações idênticas foram registradas em Rosário e Córdoba, evidenciando o alcance da insatisfação acadêmica diante da política orçamentária do governo. O impasse jurídico, aliás, é um dos pontos mais sensíveis da disputa. O juiz federal Martín Cormick chegou a declarar a inconstitucionalidade do decreto utilizado pelo presidente para barrar o financiamento.
Na visão do magistrado, a manobra governista funcionou como um veto sem amparo legal, desrespeitando frontalmente a maioria qualificada estabelecida pelo Legislativo. Apesar do respaldo de um mandado de segurança coletivo que determinava o cumprimento imediato da lei, o governo argentino mantém a resistência, deixando a comunidade acadêmica em uma queda de braço que, como visto nesta quinta-feira, transbordou para as ruas e culminou em feridos durante o embate com as forças de segurança.








