A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ouve nesta terça-feira, a partir das 9h, o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, Belline Santana, e a jornalista investigativa Cecília Olliveira.
Belline Santana, servidor afastado do Banco Central, é alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ele liderou o Desup, setor responsável pela fiscalização direta das instituições financeiras no Brasil, entre 2019 e 2024.
Os requerimentos para a convocação de Belline foram apresentados pelos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Vieira (MDB-SE). O relator da CPI, Alessandro Vieira, justificou a medida destacando uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
Conforme o senador Alessandro, há fortes indícios de uma estrutura organizada dedicada a crimes contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça. Esses crimes envolveriam pessoas físicas e jurídicas ligadas ao conglomerado Banco Master e agentes públicos que teriam beneficiado o grupo investigado.
Humberto Costa, em outro requerimento, defende que a comissão tem o dever de investigar a atuação do crime organizado em órgãos públicos como o Banco Central. Ele argumenta que a convocação se alinha ao escopo da CPI, que busca entender a infiltração de organizações criminosas em mercados aparentemente lícitos, fenômeno conhecido como “novos ilegalismos”.
Jornalista investigativa será ouvida
Na mesma reunião, a CPI também receberá a jornalista Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado. O convite à profissional foi iniciativa do senador Alessandro Vieira, que reconhece o valor de seu trabalho.
O relator explica que as investigações de Cecília revelam aspectos cruciais das facções criminosas, como suas lideranças, métodos e conexões. Ela traz informações independentes e essenciais, muitas vezes ausentes nos relatórios oficiais.
Alessandro Vieira enfatiza a importância de o colegiado ter acesso ao conhecimento acumulado por profissionais da imprensa que dedicaram anos à cobertura especializada da segurança pública e à investigação jornalística do crime organizado, complementando as informações oficiais e os dados de inteligência das autoridades.

































































































