O Brasil registrou um aumento alarmante nos casos de violência contra a mulher em 2025, com uma média de 12 vítimas a cada 24 horas. No total, foram mais de 4,5 mil mulheres afetadas, representando um crescimento de 9% em comparação com o ano anterior.
Esses dados preocupantes foram divulgados no boletim “Elas Vivem: a urgência da vida”, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança. A pesquisa monitora a situação em nove estados brasileiros, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Perfil das violências
O levantamento aponta para um cenário de múltiplas agressões. Foram identificados mais de 950 casos de violência sexual e estupro, um salto de aproximadamente 56%, com a maioria das vítimas sendo crianças e adolescentes. O estudo também contabiliza quase 550 feminicídios e sete transfeminicídios.
O Pará se destaca negativamente, apresentando o maior aumento percentual de violências. O estado registrou 138 mortes de mulheres e um crescimento de 167% nos casos de abuso sexual, evidenciando uma escalada preocupante.
Atores da violência e o papel do estado
A pesquisa revela que os principais agressores são companheiros e ex-companheiros, além de familiares e namorados ou ex-namorados. Tayná Boaes, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança, destaca que 78,5% das violências são cometidas por parceiros ou ex-parceiros.
Boaes ressalta que essa predominância indica uma violência íntima, muitas vezes tolerada socialmente e enfrentada de forma insuficiente pelo Estado. Ela enfatiza que os números oficiais frequentemente não capturam a real dimensão do problema, pois a tipificação policial pode ser falha.
Canais de denúncia e prevenção
Para combater essa realidade, é crucial que as vítimas e testemunhas saibam como agir. As denúncias podem ser feitas através do 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou, em casos de emergência, pelo 190. Delegacias especializadas de atendimento à mulher também estão disponíveis.
Se a violência envolver crianças e adolescentes, o Disque 100 é o canal adequado. O estudo conclui que são necessárias campanhas estruturais de prevenção, envolvendo educação de base, desconstrução cultural e engajamento social, para além das respostas imediatas.




























































































