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Sociedade

Ato na avenida paulista relembra duas décadas dos crimes de maio em São Paulo

Por Redação / Diário da Nação
16 de maio de 2026
em Sociedade
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Ato na avenida paulista relembra duas décadas dos crimes de maio em São Paulo

📷 Elaine Cruz/Agência Brasil

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São Paulo (SP) – Manifestantes ocuparam a Avenida Paulista na tarde deste sábado, dia 16, para marcar os vinte anos dos Crimes de Maio. O evento foi organizado pelo Movimento Mães de Maio e pelo Cordão da Mentira, coletivo que utiliza a arte e o escracho como ferramentas de denúncia contra violações de direitos humanos. O grupo, que tradicionalmente se reúne no primeiro dia de abril para protestar contra o legado da ditadura civil-militar, desta vez levou suas bandeiras às ruas para cobrar justiça pelos massacres ocorridos em 2006.

A série de ataques, que na época foi atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e seguida por uma violenta retaliação policial, deixou um rastro de destruição e luto em todo o estado de São Paulo. Dados do Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro apontam que pelo menos 564 pessoas perderam a vida naquele período. O relatório detalha que 505 das vítimas eram civis e 59 eram agentes públicos, sendo a maioria composta por jovens negros e moradores de periferias. Suspeitas de execuções sumárias praticadas por forças de segurança pairam sobre pelo menos 122 desses casos, alimentando uma luta por responsabilização que atravessa décadas.

Memória e resistência nas ruas

Thiago Mendonça, diretor de cinema e um dos coordenadores do Cordão da Mentira, explica que a união com o Movimento Mães de Maio é o pilar central dessa mobilização. Para ele, as mães das vítimas são as verdadeiras condutoras do processo, transformando a dor pessoal em uma resistência coletiva. O cortejo, carregado de batuques e música, funciona como um grito contra o esquecimento, desafiando a narrativa oficial e mantendo viva a memória de quem foi ceifado pela violência estatal. O ato, que começou em frente ao Museu de Arte de São Paulo, no Parque Trianon, traçou um caminho simbólico até o bairro do Bixiga.

Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio e mãe de Edson Rogério Silva, morto pela polícia durante os eventos de 2006, reforça que a busca por respostas não conhece trégua. Ela define o Cordão da Mentira como o fôlego necessário para que o movimento siga denunciando a continuidade da violência policial. Segundo Débora, a ditadura não se encerrou com a redemocratização, mas se transmutou em mecanismos de controle e extermínio que seguem atingindo as mesmas populações vulneráveis.

Conexão com a luta palestina

Nesta edição, o protesto também abriu espaço para a causa palestina, estabelecendo um paralelo entre a violência observada em São Paulo e o cenário internacional. O ato manifestou solidariedade aos palestinos que relembram os 78 anos da Nakba, o deslocamento forçado de populações durante a criação do Estado de Israel. Mendonça ressalta que a estrutura de repressão e a lógica de operação das forças de segurança, tanto aqui quanto no Oriente Médio, compartilham semelhanças assustadoras.

A ideia central é que a bala que vitima jovens nas periferias paulistanas é operada sob uma lógica de controle similar à que atua em territórios sob ocupação. Com essa convergência de pautas, os organizadores buscam ampliar a discussão sobre o tipo de sociedade que está sendo construída. O destino final do ato, o restaurante e centro cultural palestino Al Janiah, serviu como ponto de convergência para essas vozes que, unidas pelo Feed Editoria, clamam por justiça e pelo fim da impunidade que ainda protege os responsáveis pelos massacres de duas décadas atrás.

Tags: Avenida Paulistacrimescrimes de maiodécadas dosDireitos HumanosMães de MaioMaiomanifestantes ocuparampaulopaulo sãorelembra duasSábadoSão Paulotarde desteViolência Policial
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