Ibatiba (ES) – O cenário de destruição deixado pelos sismos da última semana na Venezuela ganhou contornos ainda mais dramáticos devido ao impacto acumulado de quase uma década de sanções impostas pelos Estados Unidos. O bloqueio, que vigora desde 2017, estrangulou a capacidade do país de manter rotinas comerciais e renovar parques de equipamentos, criando um vácuo logístico crítico no momento em que a sobrevivência de milhares de pessoas depende da agilidade nas buscas.
O número de vítimas fatais já alcançou 2.295, enquanto o rastro de escombros revela uma carência aguda de maquinário pesado. A dificuldade em obter essas máquinas não é um problema pontual, mas o resultado direto de anos de restrições ao setor petrolífero, ao financiamento da dívida externa e às transações monetárias internacionais do governo venezuelano.
Embora o Departamento do Tesouro norte-americano tenha anunciado uma flexibilização parcial na semana passada, o gesto chegou tarde para prevenir o colapso na infraestrutura de socorro. O alívio temporário é insuficiente para suprir, de imediato, a falta de recursos acumulada por quase dez anos de isolamento financeiro. A complexidade burocrática e a hesitação de parceiros comerciais em realizar negócios com a Venezuela, temendo represálias, ainda travam a chegada da ajuda necessária.
A dimensão do desastre é vasta. De acordo com projeções da ONU, sete milhões de indivíduos sofreram impactos diretos, com prejuízos materiais que já superam a marca de US$ 6,7 bilhões. Em meio ao cenário devastador, milhares de pessoas seguem desaparecidas sob os escombros, aguardando por uma resposta que a falta de equipamentos torna penosa e lenta.
A preocupação das organizações humanitárias ultrapassa o resgate imediato. Na quarta-feira, dia 1º, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas emitiu um apelo por uma injeção emergencial de US$ 50 milhões. A meta é garantir, por pelo menos três meses, a subsistência de 500 mil pessoas que perderam suas fontes de alimento. O alerta é claro: sem uma mobilização internacional robusta e rápida, os sobreviventes do terremoto enfrentarão uma nova ameaça, composta pela fome e por surtos de doenças que costumam seguir grandes catástrofes.











