Taguatinga (DF) – O que começou com a montagem de uma maquete móvel do sistema solar na robótica de uma escola em Taguatinga, no Distrito Federal, definiu o futuro de Ana Carolina Gino. Hoje, aos 23 anos, ela atua como coordenadora de sistemas em uma das maiores fintechs de energia solar do país. A trajetória, que parece improvável para quem veio da periferia, tem raiz direta na formação recebida no Serviço Social da Indústria (Sesi). Histórias de ascensão profissional como a dela pavimentaram as oito décadas da instituição, completadas oficialmente neste 1º de julho.
Fundado em 1946, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, o Sesi surgiu em um momento de profundas transformações no Brasil. O país buscava acelerar sua industrialização e urbanização, um processo liderado por empresários como Roberto Simonsen. À época, o desafio era colossal: mais da metade da população brasileira era analfabeta. A criação do serviço social buscava não apenas qualificar a mão de obra, mas garantir direitos básicos e condições de vida dignas para os trabalhadores do setor industrial.
Atualmente, a estrutura do Sesi espalha-se por 468 unidades. São 396 escolas de ensino regular, uma de nível superior e 71 polos voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O alcance é expressivo: somente no último ano, a rede registrou mais de 390 mil matrículas. Destas, 9 mil integram a educação infantil, 166 mil estão no ensino fundamental, 85,2 mil no médio e 128,9 mil na modalidade EJA. Segundo Fausto Augusto Junior, presidente do Conselho Nacional da instituição, o foco permanece no apoio ao filho do trabalhador, com políticas frequentes de gratuidade e descontos.
O impacto do Sesi na história brasileira também passa por nomes como Paulo Freire. O patrono da educação nacional atuou como funcionário efetivo da casa por 19 anos, começando em 1947, antes de se dedicar à implementação do seu método de alfabetização que ganharia notoriedade nacional.
Com a promulgação da Constituição de 1988 e o fortalecimento do Estado como provedor dos direitos sociais, o Sesi reorientou sua atuação para ações complementares. Isso se reflete na robusta rede de saúde, que soma mais de 500 unidades próprias. Somente em 2025, os serviços de saúde contemplaram 76,2 mil empresas, beneficiando 4,4 milhões de pessoas e aplicando 881 mil doses de vacinas.
Para marcar o octogésimo aniversário, o Sesi Lab, em Brasília, inaugura neste sábado (4) uma exposição histórica com mais de 400 itens, incluindo a Carta da Paz Social — documento que, em 1946, pregava a colaboração entre capital e trabalho para o desenvolvimento do Brasil. A celebração contará ainda com um show gratuito do cantor Zeca Baleiro, a partir das 18h.





































































































