Nova Jersey, Estados Unidos – A trajetória da Espanha até a decisão da Copa do Mundo masculina traz consigo uma marca histórica potencial. Pela primeira vez na cronologia do futebol, um único país pode ostentar os dois troféus mais cobiçados do planeta ao mesmo tempo. As espanholas já detêm o título feminino, conquistado em 2023, o que torna o compromisso deste domingo, às 16h, em Nova Jersey, um divisor de águas para a federação nacional.
A Fúria, que levantou a taça masculina pela única vez em 2010, busca agora o bicampeonato. O adversário sairá do confronto entre Argentina e Inglaterra, agendado para esta quarta-feira, às 16h, em Atlanta. Curiosamente, a final feminina de 2023, realizada na Austrália e Nova Zelândia, teve o mesmo roteiro geográfico: a Espanha superou as inglesas por 1 a 0 no Sydney Stadium, coroando uma campanha de seis triunfos e 18 gols marcados.
Aquele torneio também serviu de palco para a ascensão meteórica de Aitana Bonmatí. A meia do Barcelona não apenas foi eleita a melhor atleta da competição, como também empilhou troféus individuais, incluindo o The Best da Fifa e a Bola de Ouro, prêmios que ela mantém sob domínio desde então. Contudo, o triunfo de 2023 também ficou manchado pelo episódio envolvendo o então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales. O beijo forçado na atacante Jenni Hermoso desencadeou uma crise interna que resultou na renúncia do dirigente e em sua suspensão de três anos pelo Comitê Disciplinar da Fifa.
O domínio espanhol não se restringe aos Mundiais. Entre 2024 e 2025, o país vivenciou uma breve unificação na Liga das Nações. O elenco feminino garantiu o bicampeonato consecutivo do torneio, enquanto a seleção masculina conquistou a edição de 2023, embora tenha amargado o vice-campeonato diante de Portugal no ano seguinte.
Historicamente, a Alemanha foi a primeira potência a conquistar títulos mundiais em ambos os naipes, com as vitórias femininas de 2003 e 2007. Naquela última final, as alemãs superaram a Seleção Brasileira. Ainda assim, o período de glórias das mulheres alemãs nunca coincidiu com o ciclo de vigência de uma taça masculina.
O foco agora se volta para 2026 e o futuro do esporte. Enquanto a Espanha e a Argentina já possuem vaga assegurada para o próximo Mundial Feminino, que será sediado pelo Brasil em 2027, a Inglaterra ainda trava uma batalha incerta na repescagem europeia. Para a Espanha, o domingo representa a chance de consolidar um projeto de hegemonia que atravessa gêneros e redefine o peso da sua camisa no cenário internacional até 2030, quando o país será coanfitrião da Copa masculina ao lado de Portugal e Marrocos.












