Bonito (MS) – O debate sobre o futuro da produção audiovisual brasileira ganhou palanque no encerramento do festival de cinema Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, na noite de sábado (1º). No centro da discussão, o ator Paulo Betti cobrou um posicionamento firme do país diante das gigantes da tecnologia. Para o artista, a ausência de regras claras para as plataformas de streaming asfixia a cadeia produtiva local, deixando profissionais sem o devido retorno financeiro por suas criações.
A cobrança de Betti foca diretamente em um gargalo histórico do setor: a garantia de direitos autorais. Ele pontuou que o mercado necessita de mecanismos de remuneração justa e contínua sempre que uma obra for exibida no ambiente digital. O ator argumenta que essas empresas multinacionais não podem operar no território nacional sem recolher tributos adequados ou oferecer contrapartidas financeiras que retroalimentem a indústria do cinema local.
Essa demanda por proteção estatal, contudo, vai além do audiovisual. Para Betti, o fomento e o amparo das leis precisam abraçar todo o ecossistema artístico brasileiro, assegurando a sobrevivência de teatros, museus, manifestações populares e de todo o patrimônio histórico e cultural do país.
Cenário legislativo em Brasília
A manifestação do ator ecoa um movimento real que corre pelos corredores do Congresso Nacional. Atualmente, os parlamentares discutem um projeto de lei desenhado especificamente para regulamentar o funcionamento dos serviços de vídeo sob demanda. A proposta busca equilibrar o mercado ao impor o recolhimento da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) pelas empresas de streaming.
Caso seja aprovada, a nova legislação também deve estabelecer cotas obrigatórias de conteúdo nacional nas plataformas de streaming, além de criar mecanismos de fomento para a distribuição de produções independentes brasileiras.
Premiação consagra drama paraguaio
Paralelamente aos debates políticos, as telas do festival celebraram a produção cinematográfica da América do Sul. O júri oficial elegeu o filme paraguaio “¿Quién Mató a Narciso?” como o melhor longa-metragem da competição.
A narrativa cinematográfica é inspirada no livro “Narciso”, que reconstrói a trágica morte do jovem Bernardo Aranda em 1959. Aranda, um conhecido locutor de rádio homossexual e apaixonado por rock and roll, foi queimado vivo enquanto dormia. Embora a Justiça comum nunca tenha solucionado o crime, um relatório da Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai sugere que o assassinato foi planejado e executado sob as ordens do regime militar que comandava o país vizinho na época.







































































































