Brasília (DF) – O dial brasileiro ganha um tom de celebração histórica neste sábado, 12 de setembro. A Rádio Nacional completa 90 anos de existência e, para marcar a data, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) promove uma articulação sem precedentes: a união, em tempo real, de todos os seus estúdios espalhados pelo país. Entre as 13h e as 17h, no horário de Brasília, a rede deixará de operar de forma fragmentada para se tornar uma só voz no programa Somos Uma Só Nacional.
O projeto transcende as fronteiras geográficas ao conectar, simultaneamente, os estúdios de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís, Amazônia e Alto Solimões. Mais do que uma maratona radiofônica, a iniciativa busca sintetizar a trajetória de uma emissora que nasceu com o prefixo PRE-8, no Rio de Janeiro, em 1936, e se transformou em um pilar da cultura popular nacional. A transmissão será acompanhada também em vídeo, pelo canal oficial no YouTube, expandindo o alcance para além das ondas do rádio.
Sete apresentadores, distribuídos entre as diferentes praças da rede, conduzirão o especial. Para a presidência da EBC, a longevidade da emissora não reside apenas na nostalgia, mas na capacidade de adaptação constante. O discurso é de que a rádio pública permanece alinhada às demandas atuais, investindo em modernização digital e fortalecendo o diálogo com a Rede Nacional de Comunicação Pública. A ideia é reforçar o conceito de um veículo sem fronteiras, comprometido com a diversidade do território brasileiro.
A programação é uma colcha de retalhos de memórias e fatos contemporâneos. O público poderá revisitar o legado do lendário Repórter Esso — que, sob a voz de Heron Domingues, ditou o ritmo das notícias durante décadas — e relembrar o impacto cultural das radionovelas, iniciadas pela emissora em 1941 com a produção Em busca da felicidade. A grade inclui ainda um painel sobre o documentário PRK30 – O Rádio pelo Avesso, que acaba de estrear nos cinemas revisitando o humor ácido da Era de Ouro.
A música, espinha dorsal de boa parte da história da casa, terá destaque especial com depoimentos de nomes como Tom Zé, Marcos Valle, Hamilton de Holanda e Ellen Oléria. Além disso, a escola de samba Estácio de Sá preparou uma releitura do samba-enredo Alô! Alô! Brasil!, atualizando a letra com os nomes dos profissionais que compõem a equipe atual. O especial ainda reserva espaço para um resgate documental, com a exibição de quadros como o Eu já fui Nacional, que traz memórias de ex-colaboradores.
Desde a inauguração da Nacional de Brasília, em 1958, quando o rádio servia de ponte emocional entre os candangos e suas famílias em outros estados, a emissora nunca deixou de ampliar seu raio de alcance. Com o reconhecimento recente, como a premiação do programa Tarde Nacional SP pela Associação Paulista de Críticos de Arte, a rádio chega aos 90 anos reafirmando seu papel social. O evento deste sábado é um espelho dessa evolução: um sistema que integra a capital, a metrópole e as regiões mais remotas, mantendo o compromisso de informar e prestar serviço a um país de dimensões continentais.












