Brasília (DF) – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, formalizou nesta sexta-feira (11) sua defesa ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. No documento, o delegado nega categoricamente que a corporação tenha realizado monitoramento ilegal contra autoridades, incluindo o ministro André Mendonça. A manifestação ocorre após um período de instabilidade jurídica, marcada por ordens cruzadas de afastamento e reintegração da cúpula policial.
Rodrigues defende que os documentos de inteligência questionados pela Pet 16662 são fruto de decisões judiciais, refutando qualquer acusação de vigilância ou coleta clandestina de dados. Segundo ele, não houve desvio funcional. O diretor-geral reforçou que a ausência de nomes de analistas nos relatórios não aponta para um caráter apócrifo, mas segue estritamente o Decreto nº 8.793/2016 e as normas de proteção de agentes de inteligência.
O pano de fundo da crise reside na disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Na terça-feira (9), Mendonça havia determinado o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, alegando irregularidades na produção de dados e suposta vigilância contra si próprio. A medida, que também barrou a elaboração de novos relatórios, foi uma resposta a um pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça, sob suspeita de improbidade administrativa e abuso de autoridade na relatoria de casos envolvendo fraudes no Banco Master e descontos indevidos em aposentadorias.
Em sua petição ao STF, Rodrigues questionou a legitimidade do Partido Novo, autor da ação que culminou em seu afastamento temporário. Para a defesa, a legenda não detém prerrogativa legal para pleitear medidas cautelares contra indivíduos específicos junto ao Poder Judiciário. A Advocacia-Geral da União (AGU) endossou o pedido de manutenção do cargo, argumentando que a remoção do comando da PF fere competências constitucionais do presidente da República e desorganiza a estrutura estratégica de segurança pública.
O clima de tensão escalou quando mensagens recuperadas de um dispositivo móvel ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passaram a citar os nomes de Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Após o vazamento, Moraes incluiu o nome de Mendonça no inquérito das Fake News. Em meio ao turbilhão, a gestão da Polícia Federal enfrentou riscos de paralisia, com diretores chegando a colocar seus cargos à disposição como sinal de apoio à permanência de Rodrigues.
Embora uma decisão inicial do ministro Flávio Dino tenha garantido a reintegração da cúpula da PF, a questão final sobre o comando da instituição repousa agora sobre o crivo de Fachin. O presidente do STF, que havia concedido 48 horas para a apresentação da defesa, deverá decidir se a permanência de Andrei Rodrigues será mantida ou se a instabilidade institucional impõe uma nova medida sobre a cúpula da polícia.












