Colatina (ES) – Nesta terça-feira, 1º de outubro, a Rádio Nacional da Amazônia alcança a marca de 49 anos de transmissão ininterrupta. Para celebrar quase cinco décadas dedicadas à cultura, ao serviço e à informação em regiões de difícil acesso, o programa Viva Maria dedica sua edição especial ao legado da emissora, sob o comando da apresentadora Mara Régia.
A trilha sonora da comemoração é guiada pelo cantor e compositor Nilson Chaves. O artista paraense resgata a criação de oito peças musicais desenvolvidas exclusivamente para a rádio, um projeto que buscou traduzir em diversos ritmos a riqueza plural da região. Para Chaves, o objetivo central daquela empreitada coletiva foi consolidar a identidade da estação, fazendo com que o dial ecoasse a essência do povo amazônico.
Mais do que uma grade de programação, a Nacional da Amazônia construiu, ao longo do tempo, uma função social estratégica ao conectar territórios remotos ao restante do país. Mara Régia, que acompanha a trajetória da emissora há décadas, observa que essa proximidade transformou o veículo em um porto seguro para quem vive longe dos centros urbanos.
Essa conexão íntima é confirmada pela experiência de Maryellen Crisóstomo, jornalista, ativista de direitos humanos e liderança quilombola no Território Baião, em Almas, no sudeste do Tocantins. Ela relata que a rádio ditou o ritmo de sua infância, funcionando como um canal indispensável de comunicação entre parentes e comunidades vizinhas em tempos de escassez tecnológica.
Um detalhe singelo, mas significativo, ilustra essa relação: os calendários enviados pela emissora aos ouvintes que enviavam correspondências. Guardados como recordações de infância por gerações, esses itens funcionam hoje como testemunhos da presença da Rádio Nacional da Amazônia em locais onde outros meios de comunicação simplesmente não chegavam ou não encontravam alcance.
Com o encerramento do ciclo de 49 anos, a equipe já direciona os esforços para o cinquentenário. A celebração dos 50 anos da rádio, prevista para 2027, começa a ser projetada como um marco histórico para o rádio brasileiro e para a integração da região amazônica.












