Espanha, Espanha – O verão europeu deixou um rastro trágico na Espanha. Registros oficiais apontam 2.149 falecimentos relacionados diretamente ao calor no mês de agosto. O número, consolidado pelo sistema de monitoramento MoMo, do Ministério da Saúde, posiciona este como o segundo pior registro para o período desde 2015, ficando atrás apenas das 2.184 fatalidades contabilizadas no mesmo mês em 2022.
Ao olharmos para o intervalo que compreende 15 de maio até 31 de agosto, o impacto é ainda mais severo. O MoMo computou 5.234 óbitos por causas térmicas, consolidando o maior volume de perdas humanas desde que a metodologia de acompanhamento foi implementada. A Catalunha concentrou a maior parte desses casos em agosto, com 1.164 registros, enquanto Valência e Andaluzia aparecem na sequência, com 227 e 138 vítimas, respectivamente.
O perfil das vítimas desenha um cenário de vulnerabilidade acentuada. O levantamento detalha que 1.283 mulheres e 866 homens perderam a vida em decorrência das altas temperaturas. A faixa etária avançada é o ponto mais crítico: 2.064 dos falecidos possuíam mais de 65 anos, sendo que 1.285 deles tinham idade superior a 85 anos. O calor extremo atua como um gatilho devastador, não apenas pela insolação direta, mas pelo agravamento fatal de patologias respiratórias e cardiovasculares preexistentes.
A preocupação, contudo, não se limita ao passado recente. A Aemet, agência meteorológica local, emitiu um alerta para um período de calor atípico que deve atingir o país a partir desta quinta-feira (3). A expectativa é de que o fenômeno se prolongue até o final de semana, mantendo os termômetros bem acima das médias esperadas para esta época do ano.
Em boa parte do interior espanhol, as máximas devem superar a barreira dos 35°C. O desconforto será ampliado pelas chamadas noites tropicais, com os termômetros estacionados acima dos 20°C, impedindo o resfriamento natural durante o período noturno.








