Rio de Janeiro (RJ) – O maior e mais emblemático reduto da arte popular brasileira, o Museu do Pontal, vive um fim de semana de marcos redondos. O espaço comemora 50 anos de trajetória dedicados à preservação cultural. A celebração ganha um sabor extra com o aniversário de cinco anos da unidade situada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para onde o acervo migrou após deixar as instalações históricas do Recreio dos Bandeirantes.
Desde a inauguração desta nova casa, o museu consolidou-se como um vibrante centro de convivência. O balanço do período impressiona: foram mais de 1.000 oficinas e espetáculos, além de 17 festivais que atraíram um público de 80 mil pessoas. No total, a instituição contabiliza a marca expressiva de 400 mil visitantes desde a mudança. A relação com a comunidade flui de forma orgânica, como observa o diretor executivo Lucas Van de Beuque. Ele destaca o sucesso das rodas de bebês, que já receberam mais de mil crianças, algumas inclusive batizadas com nomes que homenageiam artistas que passaram pelos palcos da instituição.
A programação festiva, batizada de Festival 50 anos, reúne mais de 20 atrações gratuitas. O retorno de Lia de Itamaracá é um dos momentos mais aguardados. A lendária cirandeira pernambucana, que marcou a estreia dos festivais na nova sede em 2022, volta para reafirmar a conexão afetiva com o público. A agenda também contempla shows de Siba, Trio Forrozão, Mestre Solano & Noites do Norte, Edmilson dos Teclados, Aturiá e Zé Bezerra & Trio Pernambucano. Manifestações tradicionais como o bumba meu boi, os blocos de bate-bola e números circenses completam o mosaico cultural.
O ponto alto das artes visuais será a abertura de Véio – A Escuta do Sertão, neste sábado (29), às 15h30. Com cerca de 300 obras reunidas, a exposição é a mais abrangente já produzida sobre o sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio. A mostra percorre seis décadas de produção, revelando desde suas primeiras esculturas figurativas até as intervenções complexas em troncos, raízes e galhos que definem sua estética atual.
O curador Lucas Van de Beuque e a diretora Angela Mascelani desenharam cinco núcleos expositivos para narrar essa jornada. Para o artista, a exposição no Rio carrega um peso especial. Ele recorda que, na década de 1970, o fundador Jacques Van de Beuque foi o primeiro a enxergar o valor de suas peças, incorporando-as à coleção inicial. “O meu interesse era que o público carioca conhecesse o trabalho de um sertanejo que sai da roça para criar formas inéditas”, comenta o escultor, que prefere a resistência da madeira de imburana e cedro para suas criações.
Para facilitar a chegada dos visitantes, o museu disponibiliza vans gratuitas a partir da Estação Jardim Oceânico (metrô) e do Terminal Alvorada. O espaço funciona de quinta a domingo, das 10h às 18h, com entrada permitida até as 17h30. O projeto é viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio master da Shell, estratégia da Vale, apoio de patronos como Repsol Sinopec Brasil e Itaú, além da Prefeitura do Rio.












