Brasília (DF) – A tensão toma conta dos bastidores do Duelo de Guitarras neste sábado, dia 29, às 13h30. A TV Brasil exibe a segunda semifinal da competição, momento em que o público conhecerá o adversário de Pedro Hills na grande final. Após eliminar Roger Oliveira, Hills já assegurou seu espaço no último estágio do programa. Agora, é a vez de Lucas Moscardini e Lui Rabello medirem forças em um confronto que exige tanto estratégia técnica quanto sensibilidade artística.
O desafio desta semana é emblemático pela diferença de repertório entre os dois concorrentes. Enquanto Moscardini aposta na densidade do blues, Rabello traz o balanço regional com o xote e o baião. A escolha dos gêneros foi um ponto de fricção e cuidado, já que cada músico tentou explorar territórios onde se sente mais confortável para garantir a vaga. A dinâmica é rigorosa: apenas um dos dois seguirá adiante na disputa pelo prêmio final.
Para elevar o nível técnico, ambos passaram por um ciclo de mentorias individuais com os jurados João Gaspar e Navalha Carrera. Os especialistas têm acompanhado a evolução dos participantes desde a fase classificatória, oferecendo orientações sobre o fraseado, a precisão e a presença de palco. Segundo os mentores, o carisma e a identidade sonora de cada um foram fundamentais para que chegassem até aqui, transformando cada sessão de treino em uma aula de aprimoramento constante.
Moscardini, que se autodefine como um metaleiro moderno, não esconde o nervosismo diante da habilidade da oponente. Para ele, tocar algo fora de sua zona habitual de conforto, como o xote, representa um desafio considerável. Durante os ensaios, focou na harmonia e na tentativa de criar uma sonoridade homogênea, mesmo quando o ritmo proposto pela adversária parecia distante de sua linguagem habitual. Ele admite que, embora o blues tenha fluído com naturalidade, o duelo com a baiana exigiu uma dose extra de esforço.
Lui Rabello, que construiu uma trajetória sólida de 16 anos na Banda Altas Horas, encara a competição com serenidade. Para a guitarrista, participar do programa ao lado de músicos mais jovens tem sido uma experiência renovadora. Ela encara a semifinal como uma oportunidade de deixar sua marca pessoal no projeto, sem se deixar intimidar pela pressão das câmeras. Ao escolher ritmos que já domina, Rabello buscou refinar detalhes técnicos em vez de arriscar mudanças drásticas na reta final.
O Duelo de Guitarras, sob o comando do apresentador Dimi, vai além do palco. Com um formato que privilegia a convivência, o programa confina os seis participantes em uma casa equipada com estúdio, permitindo que os eliminados continuem participando da rotina de ensaios e jams. Essa estrutura foi idealizada pelo produtor Julio Carvana e pelo diretor Marcio Vianna para fomentar a troca criativa.
A avaliação dos jurados segue critérios técnicos rígidos, onde precisão, criatividade e emoção somam pontos cruciais. O impacto visual e a qualidade do solo, muitas vezes dificultados por sorteios de desafios lúdicos — como tocar sem palheta ou com cordas limitadas —, testam a versatilidade do grupo. O programa, parte da política de incentivo da emissora à produção audiovisual independente, reafirma o objetivo de levar a música instrumental para um público amplo, traduzindo o universo complexo da guitarra elétrica em uma linguagem acessível e instigante.












