Ibatiba (ES) – O IBGE anunciou nesta segunda-feira, dia 14, que levará à Polícia Federal e à Advocacia-Geral da União (AGU) a disseminação de informações falsas que têm mirado a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2026). A reação institucional responde a uma campanha difamatória que circula nas redes sociais, na qual usuários sustentam, sem qualquer lastro, que o levantamento seria uma estratégia dissimulada para a criação de um banco de DNA estatal.
A gravidade da situação, segundo o órgão, não reside apenas na distorção da finalidade do projeto, mas no impacto direto sobre o trabalho dos recenseadores em todo o território nacional. A desinformação dificulta a entrada das equipes nos domicílios e compromete a execução das etapas de coleta. Por isso, o instituto entende ser urgente identificar os responsáveis pela propagação desses conteúdos.
De forma técnica, o instituto esclareceu que os exames de sangue e urina integram o protocolo da pesquisa estritamente para a geração de dados epidemiológicos. Entre os indicadores medidos estão os níveis de glicose, creatinina e colesterol da população brasileira. O material recolhido por profissionais capacitados tem destino certo: após a realização das análises necessárias para a produção dos indicadores, as amostras são descartadas. Não há, portanto, qualquer armazenamento genético ou formação de banco de perfis biológicos.
Esta edição da pesquisa, que marca a terceira série histórica do levantamento, iniciou suas atividades em julho com uma meta ambiciosa: percorrer 140 mil domicílios até o fim de novembro. Além dos exames laboratoriais, que devem contemplar entre 15 mil e 20 mil voluntários com 35 anos ou mais, os agentes coletam informações sobre estilo de vida, aferem a pressão arterial e registram o peso e a altura dos entrevistados.
O trabalho é conduzido em uma parceria estratégica com o Ministério da Saúde. O objetivo central é o suporte ao planejamento de políticas públicas, o que inclui a organização de campanhas de vacinação, o aprimoramento de serviços de atendimento e o desenvolvimento de ações focadas na promoção da alimentação saudável. A participação do público, defende o instituto, é o que garante que o país compreenda as reais necessidades da população.
Ao acionar instâncias jurídicas e de segurança, o IBGE tenta estancar o prejuízo à operação e assegurar que o levantamento cumpra seu papel científico. O instituto reforça que a colaboração da sociedade é indispensável para que as futuras decisões na área da saúde pública tenham como alicerce dados reais, e não narrativas criadas para gerar desconfiança institucional.











