Colatina (ES) – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, compareceu à sede da Polícia Federal na tarde de quarta-feira, 30 de outubro, para um depoimento crucial no âmbito das investigações que apuram supostas atividades ilícitas lideradas por ele. A oitiva concentrou-se na existência de grupos identificados pelos investigadores como A Turma e Os Meninos, siglas que Vorcaro tratou de refutar categoricamente durante o interrogatório.
Para o empresário, a menção a esses nomes não passa de uma interpretação equivocada de comunicações privadas. Seus advogados sustentam que, após o acesso aos autos do inquérito, restou evidente que tais designações não correspondem a qualquer estrutura organizada ou finalidade criminosa. Em nota oficial, a defesa argumentou que o conteúdo das mensagens, quando analisado em sua íntegra e sem recortes, revela apenas desabafos proferidos em momentos de indignação, sem qualquer reflexo prático ou ameaça real à integridade de terceiros.
O cenário, contudo, é complexo. As suspeitas que levaram às investigações da PF nasceram de mensagens recuperadas do próprio aparelho celular de Vorcaro, reforçadas por diálogos extraídos de dispositivos ligados ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Em fases anteriores do caso, o ministro André Mendonça, do STF, chegou a caracterizar A Turma como uma engrenagem montada para monitorar e coletar dados de desafetos — incluindo ex-colaboradores, concorrentes do setor financeiro e profissionais da imprensa.
Um dos episódios mais sensíveis citados pela PF envolve planos para simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como represália a publicações que teriam desagradado o empresário. Na ocasião, o grupo teria discutido a possibilidade de ferir fisicamente o profissional. Apesar do teor das denúncias, Vorcaro manteve a negativa de envolvimento, admitindo apenas manter uma relação estritamente profissional com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que atuava como gerente de segurança digital e inteligência. Mourão, vale lembrar, foi preso durante a Operação Compliance Zero e cometeu suicídio enquanto estava sob custódia na superintendência da PF em Belo Horizonte.
Paralelamente, Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, também passou por interrogatório. Ele rechaçou a tese de que seria o articulador do referido grupo, limitando sua conexão com os demais investigados a transações de natureza comercial. A defesa de Henrique aproveitou a oportunidade para criticar a morosidade do Judiciário, apontando uma lacuna na definição do relator do caso no STF e a ausência de respostas a petições protocoladas anteriormente junto ao gabinete do ministro André Mendonça.
Ambas as defesas agora articulam estratégias para reverter a prisão preventiva. Argumentam que os fundamentos que justificaram as medidas cautelares iniciais já não possuem sustentação fática no estágio atual do inquérito, clamando pela liberdade dos envolvidos enquanto o processo segue seu trâmite nos tribunais superiores.












