São Paulo (SP) – A atmosfera na Caixa Cultural de São Paulo, na noite desta terça-feira (6), era de uma celebração que misturava história e encantamento. Ao caminhar pelos corredores da exposição que antecipa seu aniversário de 90 anos — a serem completados oficialmente no próximo domingo (11) —, o cantor e compositor Tom Zé resumiu a experiência com um sorriso de menino. A mostra, intitulada Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons, foi desenhada para transformar a biografia do artista nascido em Irará, na Bahia, em uma experiência imersiva e tátil.
A curadora Neuseli Martins explica que a proposta foge do modelo contemplativo convencional. O público é convidado a transitar por cenários que replicam momentos decisivos da carreira do músico, desde o início de sua formação intelectual até o icônico triunfo no 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, com a canção São Paulo, Meu Amor. Há recortes dedicados à ambientação doméstica do artista, aos seus festivais e, crucialmente, ao seu laboratório sonoro: o espaço onde ele começou a desafiar as convenções ao criar instrumentos inusitados para expandir os limites da música popular.
Quem passa pela exposição encontra uma réplica do célebre buzinório, um dos instrumentos de invenção de Tom Zé, e pode deixar mensagens registradas para o artista. A profundidade da mostra ecoa o relato de quem esteve ao lado do baiano durante décadas, como o músico Jarbas Mariz. Parceiro de longa data, Mariz integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Ele recorda que a relação, iniciada com um convite informal para uma colaboração que duraria apenas dois anos e meio, transformou-se em uma longa jornada de aprendizado sobre pontualidade rigorosa e a exploração de sonoridades não convencionais.
A carreira de Tom Zé, nome fundamental do movimento tropicalista e, desde 2022, membro da Academia Paulista de Letras, permanece em pleno curso. Longe de ser apenas um arquivo de memórias, a exposição reflete o espírito de alguém que, aos 90 anos, mantém uma rotina de exercícios físicos e mentais com o objetivo declarado de chegar ao centenário.
Para a curadoria, o mérito de Tom Zé reside em sua capacidade de dialogar com múltiplas gerações, dos 10 aos 100 anos, sem perder a curiosidade técnica e o desejo de reinvenção. A exposição Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons tem entrada gratuita e permanece aberta ao público na Praça da Sé até o dia 13 de dezembro.












