Rio de Janeiro (RJ) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu apoiadores na última sexta-feira (9), em um espaço de eventos na Ilha Itanhangá, Barra da Tijuca, para uma movimentação de campanha. Ao lado de Douglas Ruas (PL-RJ), candidato ao governo do Rio, o tom do discurso foi de enfrentamento. O parlamentar utilizou o palanque para declarar o que classificou como uma guerra contra facções criminosas, citando nominalmente o Comando Vermelho, o PCC e as milícias que operam no território fluminense e em outras partes do país.
A aliança entre Flávio e Ruas, contudo, carrega um histórico que desperta questionamentos sobre a relação de ambos com temas sensíveis de segurança pública. O histórico do senador inclui a proposição de uma moção de louvor, em 2003, ao miliciano Adriano da Nóbrega, que posteriormente foi agraciado com a Medalha Tiradentes em 2005 por iniciativa do próprio parlamentar. Registros administrativos do gabinete de Flávio também já apontaram o emprego de familiares próximos ao miliciano. Além disso, recai sobre o senador a acusação de destinar uma emenda parlamentar, na ordem de R$ 200 mil, para um projeto esportivo sugerido por Robson Calixto, o Peixe — miliciano condenado por participação no assassinato da vereadora Marielle Franco.
Do lado de Douglas Ruas, a trajetória familiar também traz pontos de atrito. Ele é filho de Capitão Nelson (PL), atual prefeito de São Gonçalo. O nome do pai de Ruas figurou, em 2008, no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) como um suposto líder de grupos paramilitares na região. O prefeito de São Gonçalo sempre negou qualquer participação nessas organizações.
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro também buscou esvaziar críticas sobre a gestão econômica e a manutenção de auxílios. O senador rotulou como boatos as especulações de uma possível privatização da Petrobras e reiterou o compromisso de preservar programas sociais, em especial o Bolsa Família, rebatendo o que chamou de notícias falsas espalhadas por seus opositores.
Essa narrativa de proteção social, entretanto, encontra ruídos em dados orçamentários recentes. No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, protocolado ainda sob o governo de Jair Bolsonaro em 2022, constava uma proposta de redução de 59% nas verbas destinadas ao programa Farmácia Popular. O corte previsto retiraria R$ 1,2 bilhão do orçamento, reduzindo os recursos de R$ 2,04 bilhões para cerca de R$ 804 milhões.
Enquanto o candidato prega a manutenção de benefícios, a estratégia desenhada por sua equipe econômica segue outro fluxo. A coordenadora dos planos econômicos da campanha, Daniella Marques, defende publicamente a necessidade de um enxugamento da máquina pública, incluindo a redução do número de ministérios. Medidas estudadas pela equipe, que visariam uma economia de R$ 250 bilhões através de alterações na correção de aposentadorias, do BPC e dos pisos constitucionais de saúde e educação, já foram objeto de debate público. A campanha, por sua vez, sustenta que tais estudos não configuram o posicionamento oficial de Flávio Bolsonaro.












