Brejetuba (ES) – A final da Libertadores de 2026 reservou um reencontro de quase seis décadas para o Palmeiras. Ao superar o Flamengo diante de um Maracanã lotado na noite de quinta-feira, o Estudiantes garantiu vaga no jogo decisivo marcado para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O mesmo palco uruguaio e o mesmo rival argentino de 1968, quando a equipe de La Plata faturou a primeira de suas quatro taças sobre o time paulista, que estreava em decisões continentais.
Montevidéu traz lembranças bem mais recentes ao torcedor alviverde. Foi na capital do Uruguai que a equipe conquistou o bicampeonato em 2021, batendo o próprio Flamengo por 2 a 1 — em tarde marcada pelo erro do volante Andreas Pereira, hoje no elenco palmeirense, e pelo gol decisivo do atacante Deyverson. Havia a expectativa por um novo duelo entre os dois rivais brasileiros, o que seria inédito em três finais do torneio, já que o Rubro-Negro havia levado a melhor em 2025 por 1 a 0, no Estádio Monumental de Lima, com gol do zagueiro Danilo.
A chance de ver a mesma decisão se repetir ruiu no Rio de Janeiro. A frustração tomou conta dos cerca de 70 mil torcedores que foram ao Maracanã esperando ver a equipe em sua sexta final da competição. Durante os 90 minutos, mesmo com um jogador a mais durante quase todo o segundo tempo, os donos da casa não saíram do 0 a 0 — repetindo o placar do jogo de ida, disputado no Estádio Jorge Luís Hirschi.
A classificação acabou selada na disputa por pênaltis, vencida pelos argentinos por 3 a 2. O goleiro uruguaio Fernando Muslera virou o personagem central do duelo ao defender as cobranças do volante Jorginho, batedor oficial carioca, do meia Lucas Paquetá — contratado por R$ 315 milhões, o maior valor da história do clube — e do atacante Bruno Henrique.
Na outra semifinal, a caminhada do Palmeiras rumo à sua oitava decisão continental foi confirmada na quarta-feira, diante do Fluminense. Após vencer no Maracanã por 2 a 1 no confronto de ida, a equipe paulista perdeu por 1 a 0 no Nubank Parque, com gol do volante Hércules, mas garantiu a vaga ao fazer 5 a 3 nos pênaltis, impulsionado pela defesa do goleiro Carlos Miguel na cobrança do meia Nonato.
Disputa direta no topo do continente
A decisão no Uruguai carrega um peso histórico que vai além da taça. O Brasil marca presença em finais de forma ininterrupta desde 2019, mas esta será apenas a terceira vez em oito edições que o título não é disputado entre dois brasileiros — a exemplo de 2019, quando o Flamengo venceu o River Plate, e de 2023, ano do título do Fluminense sobre o Boca Juniors.
O resultado do confronto deixará Brasil ou Argentina isolado como a nação mais vitoriosa da história do torneio, já que ambos contabilizam 25 títulos. A igualdade atual reflete uma alternância histórica iniciada na década de 1960. Em 1963, o bicampeonato do Santos colocou o futebol brasileiro empatado com o Uruguai no topo. Dois anos depois, a Argentina entrou no grupo dos líderes com os títulos do Independiente. O domínio seguiu alternado até o próprio Estudiantes isolar os argentinos em 1968, momento que o Brasil levou 60 anos para voltar a igualar.












