Brasília (DF) – Neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva garantiu o seu quarto mandato na Presidência da República por meio de uma reviravolta inédita na história política do país. A disputa voto a voto contra o senador Flávio Bolsonaro atraiu os olhares dos principais periódicos na Europa e na Ásia.
O jornal francês Le Monde classificou o resultado como um milagre eleitoral, apontando que as pesquisas indicavam um cenário totalmente oposto. A publicação destacou a forte mobilização nas ruas e nas redes sociais como o grande combustível para reverter a desvantagem do primeiro turno, quando o petista somou 45,16% dos votos contra 47,03% do adversário. Até então, nenhum candidato havia conseguido tirar essa diferença na segunda etapa do pleito nacional.
Além da pressão popular, o diário europeu pontuou o receio de uma guinada radical rumo ao bolsonarismo aliado ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Para o veículo britânico The Guardian, o desfecho representou um revés direto para a Casa Branca, que depositava expectativas em alinhar o Brasil a uma onda de líderes conservadores na América Latina, como Javier Milei na Argentina e Daniel Noboa no Equador.
Por sua vez, a emissora britânica BBC chamou atenção para os obstáculos políticos imediatos. Superada a euforia dos apoiadores, o presidente reeleito precisará governar com um eleitorado dividido — dado que mais de 48% dos eleitores votaram em Bolsonaro — e diante do Congresso mais alinhado à extrema direita desde a redemocratização. A rede ressaltou que a permanência de Lula no poder contrasta com o avanço conservador na região, onde apenas seis dos vinte países mantêm gestões de esquerda, num tabuleiro geopolítico em que Washington busca conter a influência de Pequim.
A agência Reuters apontou que a condução das contas públicas e o atrito com o Legislativo testarão o novo governo. Promessas como manter reajustes reais para o salário mínimo batem de frente com a cobrança por controle da dívida pública. Ao mesmo tempo, assessores tentam cortar incentivos fiscais, mas encontram forte resistência parlamentar. Analistas consultados indicam que o Congresso deve desacelerar ou barrar indicações de Lula para o Banco Central, o Supremo Tribunal Federal (STF) e órgãos reguladores, criando um inédito cenário de atrito aberto com o Senado.
No continente asiático, o japonês Japan Times descreveu o triunfo nas urnas como um episódio chocante e rotulou o político brasileiro como um líder marcante da classe trabalhadora.
Líderes de diferentes nações também se pronunciaram nesta segunda-feira. A China enviou mensagem por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, manifestando o desejo de estreitar laços rumo a um futuro compartilhado. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou felicitações chamando o brasileiro de prezado amigo e elogiando sua trajetória na defesa da soberania. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, celebrou o resultado ao afirmar que a democracia e o multilateralismo saíram vitoriosos no Brasil.








