Santiago, Chile – A gestão do presidente José Antonio Kast acumula indicadores negativos em apenas sete meses à frente do Palácio de La Moneda. O Produto Interno Bruto chileno encolheu 0,3% no terceiro trimestre de 2026, repetindo a retração de 0,2% registrada nos três meses anteriores. No mesmo intervalo, a taxa de desemprego avançou 1 ponto percentual em 12 meses, alcançando 9,6% da população ativa.
Para tentar conter a sangria econômica, o governo apresentou no final de setembro um pacote de investimentos públicos de 1,3 bilhão de pesos chilenos. A estratégia aposta em obras de infraestrutura, subsídios para abertura de vagas de trabalho e injeção de recursos no setor empresarial.
Desde março, a administração central implementa uma cartilha de austeridade inspirada em modelos externos, cortando 3% das despesas públicas e aliviando a carga tributária corporativa. A decisão de não intervir no mercado interno de combustíveis — cujos preços dispararam devido aos conflitos no Oriente Médio — ampliou as pressões inflacionárias sobre todo o tecido produtivo.
Diante da deterioração do cenário, o Fundo Monetário Internacional despencou a expectativa de crescimento chileno para 2026, ajustando a projeção de 1,8% para apenas 0,6%. O economista Fernando Henrique Lemos Rodrigues, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, avalia que frear os gastos públicos em um momento de fragilidade estrangula a atividade econômica.
O quadro é agravado pelo enfraquecimento da mineração de cobre, que responde por quase metade das exportações do país. Entre janeiro e agosto, a extração do mineral despencou 8% em comparação ao mesmo período de 2025. O esgotamento de jazidas, gargalos tecnológicos, paralisações trabalhistas e intempéries climáticas paralisaram o escoamento e minaram o principal motor financeiro do país.
Os decretos de austeridade já reduziram as despesas estatais em cerca de 2 trilhões de pesos, superando US$ 1,4 bilhão em cortes distribuídos por 17 pastas ministeriais. A saúde liderou as perdas com 413 bilhões de pesos a menos, seguida pelas pastas de Habitação, Educação e Trabalho.
Entidades sociais e centros de estudos apontam que a desoneração fiscal concedida às empresas não estimulou novos aportes produtivos, gerando apenas retenção de capital em aplicações financeiras. Para o orçamento de 2027, a previsão de expansão dos gastos ficou limitada a 1,5% do PIB, ameaçando dezenas de programas de atendimento à camada mais vulnerável da população.
A retração nos investimentos em educação provocou reações nas ruas, com manifestações estudantis reprimidas pelas forças de segurança. Afetado pela impopularidade, o mandatário chileno já acumula índices de desaprovação superiores a 60% no primeiro ano de governo.









