Serra (ES) – Milhares de israelenses cruzaram fronteiras internacionais apenas para depositar seus votos nas urnas do país, em um pleito que acontece após anos consecutivos de conflitos armados e forte polarização interna.
O sistema eleitoral israelense funciona de maneira distinta do modelo brasileiro. O eleitor escolhe listas partidárias, sem votar diretamente em quem ocupará o cargo de primeiro-ministro. A votação define diretamente a distribuição proporcional das 120 cadeiras do parlamento, a Knesset.
Para assumir o governo, é necessário construir uma maioria de pelo menos 61 deputados. Após o resultado nas urnas, o presidente Isaac Herzog indica um parlamentar para negociar uma coalizão, processo que frequentemente se estende por semanas.
Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud e o premiê com mais tempo no poder na história do país, comanda uma coalizão de direita e contou com o respaldo público do presidente americano Donald Trump.
Do outro lado, o principal oponente é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e dirigente da legenda de centro Yashar. Sua plataforma inclui a apuração rigorosa sobre as falhas de segurança que antecederam os ataques de 2023, além da expansão da obrigatoriedade do serviço militar.
O pleito ocorre no rastro de episódios que redesenharam o cenário geopolítico da região. A investida do Hamas em outubro de 2023 deu início ao confronto em Gaza. Meses depois, uma ofensiva conjunta entre Israel e os Estados Unidos atingiu o Irã. Paralelamente, em 2024, o Tribunal Penal Internacional expediu um mandado de prisão contra Netanyahu sob suspeita de crimes de guerra e contra a humanidade, acusações que o premiê nega veementemente.
O vencedor das negociações para a formação do novo gabinete herdará um cenário complexo. A lista de urgências inclui a administração da crise humanitária em Gaza, o gerenciamento das animosidades com o Irã e o enfrentamento de divisões domésticas profundas, a começar pelo debate em torno da convocação de judeus ultraortodoxos para o serviço militar.








