Brasília (DF) – O governo cubano mantém o estado de alerta diante do que considera uma possibilidade concreta de agressão militar por parte dos Estados Unidos. Em declarações recentes, o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, enfatizou que tanto a população quanto as autoridades da ilha não ignoram as pretensões de Washington. Para o diplomata, o cenário atual exige preparação, uma vez que a normalização de um conflito armado contra a nação é inaceitável.
Desde que Donald Trump reassumiu a Casa Branca, em janeiro de 2025, o cerco contra Havana ganhou contornos mais agressivos. O bloqueio energético, que impediu a chegada de petróleo à ilha durante três meses, é apenas uma das frentes da pressão. O próprio presidente norte-americano alimentou o clima de incerteza ao mencionar, em março, uma suposta “honra” em tomar o controle de Cuba, e ao sugerir, em outubro, que o país seria o próximo alvo após a resolução da guerra contra o Irã.
A situação de asfixia econômica manifesta-se no cotidiano: o setor de turismo, espinha dorsal da economia cubana, sofre com a saída de empresas hoteleiras internacionais, a interrupção de operações pela Visa e a redução drástica de voos. Paralelamente, o governo dos EUA classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária”, alegando que a ilha serviria de base para o roubo de dados sensíveis de segurança nacional.
Para Palomo, classificar um país bloqueado como um perigo à maior potência do mundo é um argumento desprovido de sentido. Ele rechaça as acusações, qualificando-as como ridículas, e pontua que o custo humano de uma ofensiva direta configuraria um genocídio. Além das implicações humanitárias, o embaixador sublinha a complexidade geográfica e política do conflito. Uma guerra, segundo ele, teria o potencial de desestabilizar toda a região e provocar reações internas nos EUA, especialmente entre a comunidade cubana residente em solo estadunidense.
A tensão diplomática atingiu novos patamares nas últimas semanas. O Departamento de Estado norte-americano ampliou as restrições a empresas de tecnologias sensíveis ligadas à ilha, e o Poder Judiciário dos EUA emitiu uma ordem de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro. Em meio a esse cenário, o embaixador reafirma o direito de autodeterminação da nação. Embora reconheça as dificuldades internas enfrentadas, Palomo insiste que a resolução dos problemas cubanos deve ser conduzida pelos próprios cidadãos, sem a interferência ou o peso de uma intervenção estrangeira que desafia décadas de soberania política na América Latina.








