Brasília (DF) – A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) assegurou um aporte de R$ 23 milhões junto ao GIRED, grupo vinculado à ANATEL. O recurso tem destino certo: financiar a espinha dorsal tecnológica necessária para o funcionamento da TV 3.0 no país. A movimentação financeira consolida a estatal como peça-chave na transição tecnológica que promete fundir a transmissão televisiva tradicional com a conectividade da internet.
Para Antonia Pellegrino, diretora-presidente da EBC, o montante não é apenas uma questão orçamentária. Ela enxerga o aporte como um movimento estratégico que coloca a empresa pública no centro da chamada Plataforma Comum. A ideia central é que essa infraestrutura funcione como um ecossistema, integrando serviços e aplicações diversas para oferecer ao público um modelo de televisão muito mais conectado e fluido do que o atual.
A injeção de capital também traz reflexos práticos para a operação interna. Com o orçamento aprovado, a EBC deve implementar um sistema de MAM — Gerenciamento de Ativos de Mídia — em Brasília. Essa tecnologia é o cérebro que permite organizar, armazenar e distribuir arquivos digitais com maior eficiência, otimizando o acervo da empresa. O sistema servirá tanto para a gestão interna quanto para alimentar a Plataforma Comum, viabilizando, inclusive, a integração com o Tela Brasil, o serviço de streaming gratuito focado em produções nacionais.
Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, detalha que o desafio vai além do software. O projeto engloba a montagem de data centers, a instalação de servidores e a configuração de toda a camada de balanceamento técnico. Tudo isso precisa suportar, em regime de alta demanda, dezenas de milhares de acessos simultâneos. A meta é assegurar que a tecnologia não sofra gargalos e mantenha a estabilidade necessária para uma escala nacional.
A promessa é de que essa engrenagem esteja girando plenamente em julho de 2027. Até lá, a EBC atua como a principal articuladora desse processo de transformação digital. O objetivo final é transformar o aparelho de TV em uma interface que misture o conteúdo linear com o vídeo sob demanda e novas aplicações interativas, rompendo as barreiras do modelo de radiodifusão atual.
A TV 3.0 representa uma mudança drástica na experiência do espectador brasileiro. Ao unir o sinal aberto da TV com a versatilidade da rede, o sistema permite que o telespectador interaja com o conteúdo de formas inéditas, expandindo a capacidade de distribuição e a própria natureza da relação entre quem produz a informação e quem a consome no conforto do lar.












