Venda Nova do Imigrante (ES) – O topo do pódio em La Seu d’Urgell, na Espanha, teve sotaque brasileiro neste sábado (12). Ana Sátila dominou a final do C1, a categoria de canoa individual, ao completar o percurso em 103s85. A marca garantiu à mineira de 30 anos a medalha de ouro na última etapa da Copa do Mundo de canoagem slalom, um feito que encerra um jejum de pódios na atual temporada.
A disputa na água foi apertada. A espanhola Miren Lazkano ficou com a medalha de prata ao registrar 104s55, enquanto a tcheca Tereza Kneblova completou o trio de medalhistas, fechando o percurso em 104s64. Para Sátila, o resultado vai além das águas espanholas: o desempenho soma pontos fundamentais no ranking classificatório visando aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
A vitória carrega um peso emocional significativo. Sátila atravessa um ano marcado por desafios pessoais, especialmente após a perda de seu pai, em março. Ter a mãe nas arquibancadas, acompanhando de perto o esforço na etapa considerada a mais importante do calendário — perdendo apenas para o Mundial —, transformou o sábado em um marco de superação. A canoísta não escondeu a emoção ao compartilhar o feito com os familiares e a equipe técnica, definindo o momento como a realização de um sonho compartilhado.
O foco, agora, permanece na água. A atleta já se prepara para um novo desafio neste domingo (13), quando disputa a final do K1, o caiaque individual, às 8h30, pelo horário de Brasília. O retorno ao alto nível traz um fôlego novo após um período de frustrações. Em julho, durante o Campeonato Mundial, a brasileira enfrentou revezes técnicos que a tiraram das decisões: foi desclassificada do K1 devido ao peso da embarcação e sofreu uma penalização de 50 segundos na semifinal do C1, terminando na 28ª colocação.
Olhando para o futuro e para o projeto olímpico de Los Angeles, a estratégia de Sátila é manter a resiliência. Entre o sorriso e a disciplina de quem ama o que faz, ela busca deixar para trás as marcas de um início de ano conturbado. O ouro na Espanha é a prova de que, apesar dos obstáculos, o caminho para o novo ciclo olímpico está aberto.











