Rio de Janeiro (RJ) – O Cinefoot encerrou sua 16ª edição coroando uma produção nacional que olha para as margens do futebol brasileiro. O documentário Copinha, dirigido por Joaquim Salles, foi eleito o melhor longa-metragem da mostra competitiva internacional. A conquista, definida por voto popular, coloca em destaque a trajetória do Esporte Clube Macapá durante a edição de 2024 do torneio sub-20 mais importante do planeta.
Joaquim Salles carrega um sobrenome indissociável da cinematografia brasileira — ele é filho de João Moreira Salles e sobrinho de Walter Salles, este último recentemente sob os holofotes por Ainda Estou Aqui. Em seu premiado trabalho, o diretor acompanha o esforço de jovens atletas amapaenses em busca de reconhecimento, superando na disputa final produções da Argentina, Espanha e Reino Unido.
O filme acompanha os passos do time do Amapá no Grupo 29 da competição. A narrativa registra a vitória sobre o Potyguar Seridoense-RN e a resiliência demonstrada em empates estratégicos contra o Vasco e o Flamengo de Guarulhos, anfitrião da chave. A campanha, que rendeu a classificação para a fase eliminatória, terminou apenas diante do Ibrachina, clube paulista estruturado para a base.
Durante o período de exibição, entre os dias 6 e 11 de junho, o festival ofereceu sessões gratuitas em quatro salas cariocas, além de passar pelo Museu do Futebol, em São Paulo, entre 7 e 10 de junho. O público teve a chance de conferir diversas facetas da cultura do esporte nas telas.
Outras categorias também foram premiadas pelo júri e pelo público. Entre os curtas-metragens, a vitória ficou com Camisa 9, de Guilherme Baptista. O filme resgata a trajetória de três jornalistas negros da mesma linhagem — Orlando e seus filhos, Luiz Orlando e Oswaldo — que, nos anos 1980, trouxeram uma nova perspectiva e irreverência às mesas-redondas televisivas.
O Troféu João Saldanha, destinado a produções que evidenciam o viés humanitário e libertário do futebol, foi concedido a Coligay. Sob a direção de Guto Franco e Murilo Megale, o documentário revisita o surgimento da primeira torcida 100% gay do Brasil, criada por gremistas em meio à repressão da ditadura militar.
Encerrando a lista de premiados, o Troféu Museu da Pelada foi para Várzea. Dirigido por D’Andrade, o filme funciona como um registro da memória afetiva e histórica dos campos de terra batida, documentando o processo de desaparecimento desses espaços fundamentais para a identidade do futebol amador brasileiro.












