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Esportes

Grand Prix de judô paralímpico abre ciclo marcado por novas regras

Por Redação / Agência Brasil
20 de março de 2022
em Esportes
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O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebeu, no sábado (19), o Grand Prix de Judô Paralímpico, primeiro evento nacional da modalidade sob as novas regras da Federação Internacional de Esportes para Cegos (Ibsa, na sigla em inglês). O torneio reuniu 117 atletas do país, alguns deles medalhistas e campeões paralímpicos.

E começam a sair os campeões! Na categoria até 60 kg J2, Thiego Marques, da Aepa-PA, confirma o favoritismo e mantém o título após aplicar ippon em Rafael Martins, do Ismac-MS. pic.twitter.com/MRTohWSJN1

— CBDV (@cbdvoficial) March 19, 2022

A partir de agora, judocas totalmente cegos passam a competir separados daqueles com baixa visão. Até a Paralimpíada de Tóquio (Japão), no ano passado, todos lutavam juntos, independente da classificação oftalmológica. Em contrapartida, o número de categorias de peso diminuiu de 13 (sete no masculino e seis no feminino) para oito (quatro por gênero).

“Posso dizer que fui privilegiada, já que a [categoria até] 57 quilos foi mantida. É bom termos mais atletas no peso, mas é ruim perder categorias”, analisou Lúcia Teixeira, dona de três medalhas paralímpicas (duas pratas e um bronze) e campeã do evento na nova classe J2 (baixa visão), à Agência Brasil.

“Um [judoca] com baixa visão consegue identificar nosso pé, nossa passada, a troca da pegada [no quimono]. Então, a gente ficava na desvantagem. Agora, lutando cego contra cego, fica mais fácil”, complementou José Luiz Menezes, atleta da categoria até 60 quilos da classe J1 (cego total).

Tetracampeão paralímpico, Antônio Tenório competia na categoria até cem quilos (meio-pesado), que deixou de existir. O experiente judoca de 51 anos passou a lutar entre atletas acima de 90 quilos (pesado) da classe J1.

No Grand Prix, ele enfrentou Williams Araújo, medalhista de prata na Paralimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, na antiga categoria dos pesados (acima de cem quilos). Williams levou a melhor no duelo histórico, ficando posteriormente com o título. Tenório acabou em terceiro.

Tem de respeitar demais esse duelo! No primeiro encontro entre os dois, Wilians Araújo levou a melhor e bateu Antônio Tenório na nova categoria dos pesados (acima de 90 kg). pic.twitter.com/DQegO1Qh4t

— CBDV (@cbdvoficial) March 19, 2022

“A competitividade é muito positiva. Atletas como o Tenório e o Williams são excepcionais e farão uma grande batalha. Um vai estimular o outro a estar sempre treinando. Isso desenvolve bastante o judô. Sei que a equipe nacional sairá forte para buscar resultados lá fora”, afirmou Jaime Bragança, técnico da seleção brasileira paralímpica da modalidade.

Outro atleta que precisou se adaptar às novas regras foi Harlley Arruda, que competia entre judocas até 81 quilos, uma das que foi extinta. Agora, o judoca combate na categoria até 73 quilos. A competição foi a primeira oportunidade para ele lutar no peso que não atingia há mais de 20 anos.

“A gente conseguiu eliminar 18 quilos em um mês e duas semanas. Fiquei neste período sem arroz, feijão, pão e macarrão. No lugar de tudo isso colocava batata ou uma raiz. [Para manter o peso] tem que estar treinando forte, duas a três vezes por dia”, disse o judoca, que foi campeão da nova categoria no Grand Prix, também na classe J1.

O primeiro compromisso internacional do judô paralímpico brasileiro sob as novas regras oftalmológicas será o Grand Prix de Antalya (Turquia), entre 20 e 25 de abril.

Tags: Esportesundefined
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