Brejetuba (ES) – O relógio marcará 14h30 deste sábado (17) quando o país se volta para a resolução de problemas lógicos. O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) coordena, simultaneamente em todo o território nacional, a segunda fase da 21ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). O evento deste ano ganha um contorno diferente: pela primeira vez, educadores também ocupam o centro da disputa.
A fase decisiva para os estudantes selecionados — que sobreviveram a um funil de 18,3 milhões de inscritos na etapa inicial realizada em 9 de junho — reúne um contingente de 900 mil jovens. Do 6º ano do fundamental ao 3º ano do médio, eles terão exatas três horas para transpor as seis questões discursivas que definem o acesso a medalhas e oportunidades futuras.
O rigor matemático tem recompensas concretas. A partir do dia 15 de dezembro, quando os resultados forem oficializados, a organização distribuirá 8.450 medalhas nacionais, divididas entre ouro (650), prata (1.950) e bronze (5.850), além de 51 mil menções honrosas. Quem subir ao pódio nacional garante vaga no Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.), que oferece carga horária avançada e uma bolsa mensal de R$ 300, financiada pelo CNPq.
A novidade que marca esta edição é a Olimpíada de Professores da OBMEP Mirim. Voltada a docentes com matrícula ativa que lecionam do 1º ao 5º ano do ensino fundamental — tanto na rede pública quanto na privada —, a iniciativa pretende valorizar o trabalho de base. O certame oferecerá cursos de formação ministrados pelo próprio IMPA aos premiados, abrangendo um espectro de 25 medalhas de ouro, 50 de prata, 100 de bronze e 500 menções honrosas.
Para os professores que alcançarem o topo do ranking, o reconhecimento vai além da certificação acadêmica. Estão previstas atividades presenciais no Rio de Janeiro, com todas as despesas sob responsabilidade do IMPA. Existe, ainda, uma vertente prática: os docentes poderão submeter projetos pedagógicos inovadores para serem aplicados diretamente em sala de aula. Se aprovados, os planos podem render uma bolsa de R$ 700 mensais durante quatro meses, servindo como combustível para a implementação de novas metodologias.
O esforço coletivo é chancelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Ministério da Educação (MEC), contando com o suporte da Associação Nacional dos Professores de Matemática na Educação Básica (ANPMat). A aposta é clara: ao integrar docentes e alunos em um mesmo ciclo de estímulo à disciplina, o objetivo é robustecer a educação básica a partir de seus fundamentos.












