Brasília (DF) – O cenário internacional da crise climática volta a ter o Brasil como protagonista em novembro. Durante encontro do Conselho Nacional de Política Energética, realizado nesta sexta-feira (6), o presidente Lula detalhou os planos para a COP31, em Antália, na Turquia. O evento marcará a transferência da presidência da conferência da ONU — o Brasil passa o bastão após o ciclo iniciado na COP30 — e será a vitrine para os números de sustentabilidade alcançados internamente.
A estratégia brasileira foca na entrega do chamado “mapa do caminho”, uma diretriz para o abandono progressivo da matriz baseada em combustíveis fósseis. Lula confirmou que o país levará dados sobre a queda nas emissões de gases do efeito estufa no biênio 2022-2024, destacando uma redução de 560 milhões de toneladas, além de registrar os índices históricos de combate ao desmatamento.
A reunião do Conselho, comandada pelo Ministério de Minas e Energia, serviu para consolidar cinco resoluções voltadas à transformação energética local. Entre as medidas, destaca-se a oficialização do Plano Nacional de Transição Energética e a fundação de um grupo de trabalho focado exclusivamente na eletromobilidade. A intenção é monitorar de perto a inserção e a infraestrutura necessária para a frota de veículos elétricos nas cidades brasileiras.
O ministro Alexandre Silveira reforçou que o objetivo central é garantir um processo que seja, ao mesmo tempo, justo e planejado. Para o governo, a descarbonização da mobilidade urbana é o principal gargalo — e a maior oportunidade — para o impacto nas metas ambientais globais. O texto desse “mapa do caminho” servirá como um modelo de diplomacia climática, provando na prática que a redução da dependência de combustíveis fósseis é viável economicamente.
Fora da pauta estritamente ambiental, Lula aproveitou o encontro para alinhar o discurso sobre o equilíbrio das contas públicas. O presidente refutou críticas sobre a gestão fiscal, ressaltando a transição de um déficit de 2,8% para a entrega de um orçamento com superávit. Em tom de aviso ao mercado financeiro, ele reiterou que a responsabilidade fiscal não será buscada à custa da população mais vulnerável.
Com os olhos voltados para os próximos quatro anos, a avaliação interna aponta um otimismo sobre o potencial do Brasil em se tornar um player desenvolvido. A aposta do Palácio do Planalto reside na atração de investimentos produtivos, capitalizando sobre as vantagens competitivas nas áreas de minerais estratégicos e energia renovável. Para o governo, o sucesso desse modelo de desenvolvimento depende de uma equação onde a agenda climática caminha, obrigatoriamente, lado a lado com a estabilidade econômica.












