Caracas, Venezuela – Sete dias após os terremotos que devastaram áreas da Venezuela, o balanço de vítimas alcançou a marca de 1.943 mortos. Em meio ao cenário de destruição, o governo brasileiro moveu uma comitiva de alto escalão para Caracas, liderada pelo ministro da Defesa, José Múcio, em busca de alinhar a próxima fase de auxílio ao país vizinho.
A estratégia brasileira divide-se em dois eixos principais. O primeiro, de natureza emergencial, focou no resgate e no suporte médico imediato. Agora, o foco se desloca para o planejamento da reconstrução urbana e habitacional, um desafio de médio e longo prazo para atender as cerca de 60 mil pessoas que perderam suas casas.
Para pavimentar essa nova etapa, integraram a comitiva brasileira o secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, e a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães. O objetivo é oferecer suporte técnico especializado para a recuperação da infraestrutura danificada. Durante o encontro com a presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, o ministro José Múcio enfatizou que a assistência brasileira permanece à disposição conforme as demandas locais forem mapeadas.
Ainda na terça-feira, o titular da Defesa detalhou que o trabalho em solo venezuelano aguarda a conclusão dos levantamentos técnicos realizados por engenheiros locais. Esses especialistas avaliam a estabilidade dos territórios e quais áreas estão seguras para o início das obras de reestruturação. “Fizemos a visita ao hospital de campanha da Marinha brasileira, reiterando nossa disponibilidade imediata de médicos, voluntários e insumos, caso seja necessário”, pontuou o ministro. A postura, segundo ele, prioriza o respeito aos tempos e necessidades do governo venezuelano, garantindo que o Brasil mantenha uma linha direta de colaboração.
O esforço humanitário na região tem sido intenso. Até o momento, pelo menos 6,4 mil pessoas foram retiradas dos escombros com vida. Segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, a atuação conjunta de militares, bombeiros, defesa civil e brigadistas internacionais permitiu que aproximadamente 20 mil vidas fossem preservadas desde o dia 24, data em que os abalos sísmicos atingiram o país. O governo brasileiro, ao posicionar técnicos da Caixa e do Ministério das Cidades, sinaliza que a cooperação técnica será duradoura, focada agora na difícil tarefa de devolver habitação e infraestrutura básica à população atingida.



































































































