Washington, Estados Unidos – O futuro da administração de Donald Trump nos seus dois anos finais de mandato passa pelo crivo das urnas nesta terça-feira (3). Cerca de 210 milhões de eleitores foram convocados para as chamadas eleições de meio de mandato, um termômetro direto da popularidade presidencial e o momento em que a configuração do Poder Legislativo corre risco de sofrer uma guinada histórica. Atualmente, os Republicanos detêm o controle tanto da Câmara quanto do Senado, mas as pesquisas apontam um cenário de virada na Câmara e uma disputa apertada pela maioria no Senado.
O pleito renova a totalidade das 435 vagas da Câmara, além de 35 assentos no Senado e postos de governadores em 36 estados. O desenho pós-eleitoral deve ditar o ritmo da Casa Branca até 2020. Caso os Democratas conquistem apenas uma maioria modesta na Câmara — algo entre 20 cadeiras — o partido ganha força para abrir investigações, convocar audiências e emitir intimações contra a gestão Trump, embora encontre dificuldades para emplacar mudanças profundas em políticas públicas. Nesse cenário, o confronto sobre o teto da dívida surge como um foco de instabilidade para os mercados.
A situação ganha complexidade se a vantagem democrata na Câmara subir para um patamar entre 21 e 40 deputados. Projetos voltados a restringir o alcance do Executivo ganhariam fôlego, mas ainda esbarrariam no bloqueio republicano no Senado e no poder de veto de Trump. Para Robson Carvalho, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília, a manutenção de apenas uma das casas pelos republicanos já seria suficiente para alterar o tom da política externa, especialmente em pautas multilaterais que afetam o Brasil, como comércio e meio ambiente.
A conquista democrata de ambas as casas, por outro lado, daria à oposição uma ferramenta poderosa: o controle sobre as nomeações presidenciais. O descontentamento popular com o custo de vida crescente e a efervescência dos protestos pelo país são elementos que agora buscam tradução nas urnas. Se a vantagem for expressiva, os democratas poderiam avançar em temas sociais e fiscais, o que levaria Trump a tentar redistribuir o peso da responsabilidade econômica caso a inflação e os preços elevados persistam.
O clima eleitoral é marcado por desconfiança. Nos dias que antecederam a votação, o presidente reiterou alegações de possíveis fraudes, sem, contudo, oferecer provas que sustentassem o discurso. O Departamento de Justiça também se movimentou em episódios pontuais, desde a tentativa de invalidar votos enviados por correio de não cidadãos na Califórnia até a apuração de candidaturas controversas no Alasca. Com um histórico recente de mais de 60 ações judiciais que questionaram resultados anteriores sem sucesso, a tensão jurídica ronda o processo democrático norte-americano enquanto as urnas permanecem abertas.











