La Guaira, Venezuela – O rastro de destruição provocado pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que sacudiram a Venezuela em 24 de junho vai muito além das perdas humanas imensuráveis. Um levantamento preliminar aponta um prejuízo financeiro imediato de US$ 6,7 bilhões apenas em danos físicos diretos a moradias e ativos econômicos — valor que representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Analistas alertam que o impacto real, englobando a reconstrução e os reflexos econômicos de longo prazo, pode chegar a até US$ 20 bilhões.
Nas ruas de La Guaira e da capital, Caracas, a realidade diária é ditada pela corrida contra o tempo. O balanço oficial já registra mais de 1,7 mil mortos e 3.238 feridos, mas o temor é de que esses números continuem subindo. Diante do colapso, moradores locais começaram a escavar os destroços com as próprias mãos para localizar parentes. Em La Guaira, Mireya Quezada descreveu o desespero das famílias que buscam ao menos a chance de dar um sepultamento digno aos seus entes queridos.
O socorro internacional mobiliza um contingente de 2.200 especialistas e 140 cães farejadores de vários países. Em uma operação conjunta no último sábado, equipes de resgate da Colômbia, dos Estados Unidos e da Suíça conseguiram retirar cinco pessoas com vida dos escombros, entre elas um bebê de apenas seis meses de idade.
Garantir a sobrevivência dos que restaram é o próximo grande desafio, já que cerca de 80% da população afetada enfrenta dificuldades para conseguir comida. Para mitigar o risco de desabastecimento, um carregamento de 3 mil toneladas de alimentos está em solo venezuelano, volume suficiente para atender 10 mil famílias durante dois meses. Suprimentos adicionais armazenados no centro de resposta humanitária no Panamá também aguardam liberação conforme a demanda.
A situação dos menores de idade preocupa os agentes de assistência. A estimativa é de que 680 mil crianças estejam entre os 1,8 milhão de pessoas que necessitam de amparo urgente. Manuel Rodriguez Pumarol, que acompanha as operações locais, relata que os hospitais operam muito acima da capacidade máxima, o acesso à água potável foi severamente comprometido e dezenas de escolas foram danificadas ou destruídas.
A tragédia alcançou cerca de 8,6 milhões de habitantes no norte da Venezuela, com impactos severos nos estados de Carabobo, Miranda, Yaracuy e Aragua. Ao todo, estima-se que 1,7 milhão de estruturas residenciais e comerciais estejam localizadas na área mapeada pelos fortes tremores.







































































































