Fortaleza (CE) – A investigação sobre a trágica morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi ganhou um novo rumo nesta terça-feira (22), com a prisão de seu namorado, João Munhoz Neto, na capital cearense. O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Ceará, que optou por manter as investigações sob sigilo absoluto. O caso começou a ser apurado após o corpo da universitária ser encontrado, no último dia 13, no condomínio de classe média onde o casal morava, em Fortaleza.
A comoção em torno do caso cresceu significativamente depois que a mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo contundente nas redes sociais cobrando respostas e justiça das autoridades. No relato, a mãe descreveu o desespero de perceber que a filha não respondia mais às suas mensagens de rotina. Ao tentar contato direto com o namorado de Isabelle para obter alguma notícia, ela descobriu que tinha sido bloqueada no aplicativo de mensagens. Isorlanda só tomou conhecimento do falecimento ao ir pessoalmente ao edifício, onde foi informada pela síndica que o corpo da filha já havia sido encaminhado ao IIML.
Em paralelo, a Polícia Civil localizou a mãe de João Munhoz na praia do Cumbuco, localizada na região metropolitana de Fortaleza. Ela morava no mesmo apartamento em que o casal residia. Durante as buscas, os policiais apreenderam o celular e um tablet da mulher para que passem por perícia técnica especializada. O celular de Isabelle já foi submetido à análise pericial e o conteúdo do aparelho está sendo integralmente checado pela equipe de investigação.
Análise de movimentações e depoimentos
Os investigadores concentram esforços agora para reconstruir minuciosamente a cronologia dos deslocamentos de Isabelle e do namorado no dia do ocorrido. O trabalho se baseia no cruzamento de imagens obtidas pelas câmeras de segurança instaladas nas áreas internas do condomínio. Até o momento, quatro testemunhas já prestaram depoimento formal e outras quatro estão com depoimentos agendados para os próximos dias. Além disso, perícias técnicas detalhadas foram realizadas tanto no apartamento onde residiam quanto nas áreas comuns do residencial.
O laudo divulgado pela perícia forense concluiu que a causa da morte de Isabelle foi politraumatismo, com múltiplos ferimentos externos compatíveis com uma queda de grande altura e consequente impacto contra o solo. Os exames laboratoriais complementares apresentaram resultado negativo para a presença de qualquer substância toxicológica no sangue da estudante.
O Ministério Público do Estado do Ceará informou que acompanha todos os desdobramentos das apurações criminais e presta apoio psicossocial aos familiares da universitária por meio do Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência. Em nota oficial, os advogados que representam a família de Isabelle declararam que estão totalmente dedicados ao acompanhamento do caso. A defesa de João Munhoz Neto foi procurada para comentar a prisão, mas não deu retorno até a publicação desta reportagem.












