Vila Velha (ES) – O braço logístico que abastecia de entorpecentes as comunidades controladas pelo Comando Vermelho sofreu um golpe direto nesta manhã. A Operação Ícarus mobilizou agentes da Polícia Civil em uma ofensiva simultânea nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas, com o objetivo de estancar o fluxo de drogas da facção. Até as primeiras horas do dia, o balanço indicava a detenção de seis suspeitos, entre eles a peça central da estrutura criminosa.
Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido no meio do crime como Boss, foi o principal alvo capturado. Apontado como o articulador que mantinha linha direta com o alto escalão da facção, ele era o elo encarregado de viabilizar a entrada de carregamentos ilícitos nas áreas dominadas pelo grupo. A investigação que levou a sua prisão ganhou corpo após a apreensão de anotações pertencentes a Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, um dos líderes da facção. Os documentos de contabilidade do tráfico revelaram pagamentos sistemáticos de Marcos Silva para Boss, evidenciando o papel estratégico do detido na cadeia de suprimentos.
A estrutura desbaratada operava com rígida divisão de tarefas. O esquema ia muito além de simples transporte, integrando operadores logísticos, encarregados de cobrança e o uso de empresas de fachada para movimentar os entorpecentes entre São Paulo e o Rio de Janeiro. A complexidade do sistema fica evidente no volume das apreensões recentes relacionadas ao grupo: em 2024, as autoridades interceptaram 715 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, além de outros 74 quilos de cocaína em Seropédica, na região metropolitana carioca.
Para mascarar o lucro gerado pelo tráfico, o grupo utilizava operações financeiras atípicas envolvendo diversas pessoas jurídicas. De acordo com os investigadores, o esquema foi capaz de ocultar e dissimular a movimentação de R$ 70 milhões em um intervalo curto de tempo. Essa fachada corporativa servia tanto para a lavagem de capitais quanto para dar aparência de legalidade à rede de transporte que escondia as cargas ilegais.
A mobilização contou com uma força-tarefa multidisciplinar, unindo o Departamento-Geral de Polícia Especializada, o Ministério Público, a Corregedoria da Polícia Militar e a Polícia Penal. O cumprimento dos mandados de busca e apreensão continua em curso, com o foco voltado agora para a análise de novos documentos e evidências colhidos durante a operação, visando mapear o restante da rede de pessoas interpostas que garantiam o funcionamento da logística criminosa.











