Vitória (ES) – O Brasil encerrou 2025 com 1,499 milhão de crianças e adolescentes envolvidos em alguma forma de trabalho infantil. O número representa 4% da população brasileira na faixa de 5 a 17 anos. O levantamento, conduzido pelo IBGE e divulgado nesta sexta-feira (16), indica um recuo de 9,2% em comparação a 2024, quando o contingente atingia 1,65 milhão de jovens — ou 4,3% do total.
Para o mapeamento, o instituto adota critérios rigorosos. Abaixo dos 13 anos, qualquer atividade econômica ou voltada ao autoconsumo é contabilizada como trabalho infantil. A partir dos 14 anos, abre-se a exceção para o modelo de aprendiz. Já aos 16 e 17 anos, o emprego é permitido apenas com carteira assinada, desde que o ambiente não ofereça riscos à saúde ou moral do adolescente e não ocorra no período noturno.
Ao analisar a trajetória recente, o cenário é de oscilação. Após sucessivas quedas entre 2016 e 2019, o índice sofreu o impacto da pandemia, disparando 7% em 2022. Embora tenha havido uma nova alta em 2024, a redução observada agora coloca o país em uma trajetória descendente mais consistente, com uma queda acumulada de 28,6% em relação a 2016, quando o país contabilizava 2,1 milhões de crianças nessa situação.
O aquecimento do mercado de trabalho e o aumento da renda média das famílias foram apontados como motores desse movimento. Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, também desempenharam um papel estratégico. A pesquisa revela que, entre os beneficiários do programa, a redução do trabalho infantil foi mais intensa: um declínio de 41% no contingente entre 2016 e 2025.
Contudo, a realidade ainda é preocupante para centenas de milhares de jovens. Cerca de 525 mil deles estão submetidos às chamadas Piores Formas de Trabalho Infantil (TIP), que englobam desde a exposição a substâncias insalubres até casos graves de exploração sexual e tráfico. Felizmente, este grupo atingiu seu patamar mínimo desde o início da série histórica.
A jornada laboral dos jovens brasileiros segue um padrão que varia conforme a idade. Enquanto os mais novos costumam cumprir jornadas reduzidas, metade dos adolescentes de 16 e 17 anos dedica 25 horas ou mais por semana ao trabalho, sendo que 29,6% dessa faixa enfrentam cargas exaustivas de 40 horas semanais ou mais. Setores como o comércio e a agricultura ainda absorvem a maior parte dessa mão de obra precoce.
O recorte regional mostra que o Sudeste concentra o maior número absoluto de trabalhadores infantis, com 481 mil casos, mas é o Norte que apresenta a maior proporção relativa: 6,3% da população local na faixa etária está inserida no mercado de trabalho. Por outro lado, o Nordeste destaca-se por ter alcançado as quedas mais expressivas nos últimos anos.












