Brasília (DF) – O Ministério da Saúde oficializou, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (15), a inclusão do medicamento emicizumabe nas diretrizes de tratamento para crianças com hemofilia A. A medida contempla especificamente pacientes com idade até 6 anos que não possuam inibidores contra o fator VIII da coagulação sanguínea.
A publicação detalha critérios rigorosos para o diagnóstico clínico, estabelecendo diretrizes precisas para a inclusão e exclusão de pacientes, além de definir os mecanismos de regulação, controle e avaliação do uso do fármaco. Com validade em todo o território nacional, o documento vincula as secretarias de Saúde estaduais, municipais e do Distrito Federal à padronização do acesso ao tratamento dentro da rede pública.
Diferencial técnico
O principal avanço trazido pelo protocolo é a mudança na via de administração do medicamento. Enquanto a terapia tradicional exige infusões intravenosas recorrentes — um processo que pode ser traumático e logisticamente complexo para crianças pequenas —, o emicizumabe é aplicado de forma subcutânea. Essa característica torna o procedimento menos invasivo no cotidiano dos pacientes e de seus familiares.
A expectativa da pasta é que a mudança também reflita na redução da frequência de sangramentos. O controle clínico, no entanto, permanece sob responsabilidade dos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) em seus respectivos níveis de atuação. Cabe aos administradores locais a organização da rede de atendimento, o que inclui a definição dos serviços que funcionarão como referência e o estabelecimento dos fluxos necessários para que a criança receba o acompanhamento integral previsto nas novas diretrizes.
Segurança e informação
A portaria impõe uma salvaguarda ética: o paciente ou o responsável legal deve ser orientado detalhadamente acerca da natureza do fármaco. Isso engloba o conhecimento sobre riscos potenciais, a possibilidade de efeitos colaterais e a natureza dos eventos adversos associados ao uso do emicizumabe. O objetivo é garantir que a decisão pelo tratamento seja acompanhada de pleno consentimento e ciência por parte da família.
O texto integral do novo protocolo clínico e as diretrizes terapêuticas relacionadas já estão acessíveis para consulta pública. O conteúdo encontra-se disponível na seção específica do portal do Ministério da Saúde voltada aos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), permitindo que profissionais de saúde e a população tenham acesso às regras atualizadas para a assistência farmacêutica no contexto da hemofilia A no Brasil.












