Rio de Janeiro (RJ) – O cenário epidemiológico da doença meningocócica no estado do Rio de Janeiro forçou uma resposta imediata das autoridades sanitárias. Até o próximo dia 31, moradores com idade de até 24 anos que vivem na capital fluminense, Belford Roxo, Duque de Caxias ou Nova Iguaçu podem comparecer a uma unidade básica de saúde para receber a vacina ACWY. A medida conta com um reforço de 400 mil doses enviadas pelo Ministério da Saúde.
A estratégia mira, essencialmente, a faixa etária que acumulou lacunas vacinais durante o período da pandemia de Covid-19, quando o Calendário Nacional de Vacinação sofreu interrupções. Como o público adolescente e os adultos jovens costumam atuar como portadores da bactéria na garganta, sem necessariamente adoecer, eles facilitam a circulação da patologia na comunidade. Vacinar esse grupo é, portanto, uma tática de proteção coletiva.
O protocolo para quem busca a imunização é simples. Basta apresentar um documento de identidade e, caso tenha em mãos, o cartão de vacinação. Para indivíduos a partir dos 11 anos, o esquema é de dose única. Vale lembrar: quem já completou esse ciclo anteriormente não precisa repetir a vacina.
Os números do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan) justificam a preocupação. Em 2024, o estado computou 70 notificações. No ano seguinte, o índice subiu para 95 casos, enquanto os primeiros nove meses de 2026 já contabilizam 49 ocorrências. A concentração de pessoas que perderam o prazo da imunização na adolescência nesses quatro municípios específicos tornou a área o epicentro da ofensiva atual.
A subsecretária de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária à Saúde, Silvia Carvalho, reforçou a necessidade de adesão. A orientação é clara: tanto jovens quanto pais e responsáveis devem priorizar a ida aos postos para garantir a proteção, visto que o imunizante é consolidado como seguro e eficaz.
O reconhecimento da doença exige atenção, já que alguns sinais podem ser confundidos com quadros gripais comuns. Febre, dor de cabeça intensa, vômitos, mal-estar generalizado e irritabilidade são os indícios mais frequentes. É preciso ficar alerta, contudo, a sintomas específicos como a rigidez na nuca — quando o paciente não consegue encostar o queixo no peito —, sensibilidade à luz e o surgimento de manchas vermelhas ou arroxeadas na pele, que pedem socorro médico imediato.
No caso dos bebês, o diagnóstico é desafiador. A doença pode se manifestar por meio de recusa alimentar, choro persistente, reflexos anormais e o abaulamento da moleira, exigindo um olhar cauteloso dos responsáveis diante de qualquer mudança brusca de comportamento da criança.












