Cuiabá (MT) – A partir do dia 29 de junho, as telas de Cuiabá se transformam em um espelho das maiores urgências globais. Durante sete dias, até 5 de julho, a capital mato-grossense sedia a 23ª edição do Cinemato — Festival de Cinema de Cuiabá. O evento deste ano propõe uma reflexão profunda sobre o cruzamento entre o deslocamento de populações e o colapso ambiental, sob o tema “Migração – Mobilidade Humana e Mudanças Climáticas”.
Ao todo, o festival exibe 67 produções vindas de 17 estados brasileiros. A programação, que ocupa diferentes espaços da cidade, divide-se entre mostras competitivas e atividades de formação, como oficinas e seminários. Na disputa pelo tradicional Troféu Coxiponé, a Mostra Competitiva de Longas apresenta sete filmes de diferentes vertentes estéticas. Outras 15 produções disputam a categoria de curtas-metragens, enquanto a Mostra Documenta Brasil resgata memórias coletivas e identidades históricas do país.
Para o idealizador e diretor do festival, Luiz Carlos Borges, a proposta é conectar a produção audiovisual feita fora do eixo tradicional aos grandes dilemas contemporâneos. Ele destaca que o festival funciona como um manifesto em defesa da vida, ganhando repercussão que vai muito além das fronteiras físicas de Mato Grosso. Na última edição, a plataforma digital do evento superou as 300 mil visitas, alcançando mais de dez mil espectadores fora do Brasil.
Protagonismo feminino e presença de estrelas
Um dos pontos altos da programação é a presença da atriz e diretora paraense Dira Paes. Pelo segundo ano consecutivo, a artista participa presencialmente da entrega do prêmio que leva seu nome, concebido para homenagear mulheres de Mato Grosso que atuam na intersecção entre o cinema, os direitos humanos e a conservação ambiental. A participação de Dira reforça o compromisso do Cinemato com a descentralização cultural e o fomento às novas gerações de realizadoras.
O tapete vermelho cuiabano recebe nomes conhecidos do cenário nacional, como Bella Campos, Vanessa Gerbelli, Jorge Bodanzky, Régis Faria, Betse de Paula e Renato Barbieri, que participam de debates e sessões comentadas com o público. A edição de 2026 reserva ainda um espaço especial para saudar o dramaturgo, ator e diretor Amauri Tangará. A homenagem reconhece a trajetória do artista, um migrante que se estabeleceu no estado e dedicou décadas à construção da identidade teatral e cinematográfica local, ajudando a moldar novas gerações de realizadores.





























































































