Brasília (DF) – A corrida eleitoral para o Palácio Guanabara chegou a um desfecho abrupto. Eduardo Paes, do PSD, anunciou sua desistência oficial após o ministro Cristiano Zanin, do STF, indeferir na noite desta quinta-feira (8) um pedido para invalidar a decisão do TSE que alterou o cálculo final dos votos no Rio de Janeiro.
O impacto jurídico da decisão de Zanin é direto: ao manter o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral que anulou os 274.411 votos atribuídos a Anthony Garotinho, o cenário de disputa é desfeito. Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas (PL) alcança a marca necessária para liquidar a eleição ainda no primeiro turno, superando os 50% dos votos válidos — uma margem que, na contagem anterior, não havia sido atingida.
Em nota oficial, Paes não escondeu a frustração com o rito processual. O candidato ressaltou que, nas urnas do último domingo (4), a vontade das urnas apontava para a necessidade de um segundo turno. Ainda assim, adotou um tom de conformidade institucional. “A Justiça decidiu que não haverá segunda etapa, contrariando o desejo dos eleitores. Decisão judicial se respeita, é assim que a democracia funciona”, afirmou.
O desfecho encerra uma sequência de incertezas que marcaram os últimos dias no estado. O imbróglio começou quando Anthony Garotinho teve seu registro de candidatura indeferido, mas manteve o direito de aparecer nas urnas devido a recursos pendentes. Mesmo após o político desistir do recurso no dia seguinte ao pleito, o TSE decidiu, por 5 votos a 2 na quinta-feira, seguir com o julgamento e decretar a nulidade total dos sufrágios direcionados ao ex-governador.
A reviravolta jurídica foi intensa. Dias antes do primeiro turno, o relator Floriano de Azevedo Marques havia definido que os votos não seriam contabilizados, mas uma liminar de Nunes Marques chegou a permitir a totalização temporária — cenário que foi definitivamente revertido pelo plenário do TSE agora. Resta apenas o ato protocolar do TRE-RJ para confirmar oficialmente a vitória de Ruas.
Nos números, a mudança é drástica. Antes da exclusão dos votos de Garotinho, Douglas Ruas somava 4.271.199 votos (49,27%), enquanto Paes registrava 3.706.984 (42,76%). Com a retotalização, Ruas ultrapassa a barreira da vitória por uma margem de aproximadamente 74 mil votos.
Embora se retire da disputa direta, Paes indicou que seu grupo político, o PSD, manterá uma postura de fiscalização rigorosa. Ele classificou o momento como um dos mais críticos da história fluminense, especialmente no setor de segurança pública. “O meu amor pelo Rio e meu compromisso continuam. Seguiremos acompanhando e cobrando resultados de um governo que representa a continuidade do grupo que está no poder há oito anos”, declarou, agradecendo aos mais de 3,7 milhões de eleitores que depositaram confiança em sua plataforma.












