Cariacica (ES) – O senador e candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, reservou o domingo, 11 de outubro, para uma agenda intensa na capital paulista. Em um edifício localizado nas imediações do Vale do Anhangabaú, o parlamentar reuniu prefeitos e vereadores de diversos municípios da Grande São Paulo, em um movimento que busca consolidar bases regionais em um momento decisivo da disputa eleitoral.
O clima no encontro foi de alinhamento com lideranças locais. Flávio esteve acompanhado de figuras de peso na política estadual e municipal, incluindo o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes. O cenário serviu como palanque para o candidato atacar a atual gestão de Lula, utilizando indicadores financeiros como argumento central de sua plataforma econômica.
Ao abordar os desafios fiscais do país, o candidato prometeu um corte drástico de despesas, sem especificar detalhadamente os setores afetados, limitando-se a prometer a remoção de gastos ineficientes. Segundo ele, o simples anúncio de sua eventual ascensão ao Planalto seria capaz de alterar o humor do mercado financeiro, citando como exemplo a queda de 1% nas taxas de juros futuros registrada logo após a definição do primeiro turno.
De acordo com o cálculo apresentado por Flávio, cada ponto percentual reduzido na curva de juros representaria uma folga de aproximadamente R$ 100 bilhões no orçamento federal. O candidato também ventilou a possibilidade de integrar Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, ao seu futuro ministério. A menção ocorre apesar do histórico de alta de juros registrado pelo BC sob a gestão de Campos Neto entre 2019 e 2024, fato que gera questionamentos sobre a consistência da política econômica que ele pretende implementar.
Sobre as preocupações com o bem-estar da população mais vulnerável, o senador buscou afastar o temor de retrocessos. Pelas redes sociais e durante seu discurso, garantiu que os cortes orçamentários prometidos não atingirão áreas sociais, citando especificamente a preservação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Foi além, prometendo que os aposentados terão ganhos reais, acima da inflação.
A retórica, contudo, enfrenta resistência diante do histórico da gestão de seu pai, Jair Bolsonaro. Durante aquele mandato, foram tentadas alterações no BPC que restringiam o acesso ao benefício, além da substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil — programa que, conforme auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), apresentou riscos elevados de irregularidades em sua execução.
Outro ponto que atrai atenção e críticas remete ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, enviado ao Congresso em 2022. Naquela ocasião, o governo anterior propôs um corte de 59% nos recursos destinados ao programa Farmácia Popular. A medida, que previa uma redução de cerca de R$ 1,2 bilhão na verba, acabou sendo revertida pelo Legislativo, que não apenas recompôs o orçamento, como ampliou o montante disponível para a iniciativa.
Agora, resta a dúvida sobre como a equipe econômica que Flávio Bolsonaro promete montar irá equilibrar a promessa de austeridade rigorosa com a manutenção dos programas sociais vigentes.











