A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS encerrou seus trabalhos sem apresentar um relatório final, frustrando expectativas depois de sete meses de investigação. O parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado por 19 votos contra 12, e o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu não colocar em votação um documento alternativo preparado pela base governista.
A maratona de trabalho se estendeu por mais de 15 horas na sexta-feira e madrugada de sábado. Gaspar apresentou um relatório com mais de 4 mil páginas pedindo o indiciamento de 216 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, empresários, ex-ministros e parlamentares. O texto também incluía Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, acusado de receber repasses por meio da empresária Roberta Luchsinger.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tentou apresentar uma questão de ordem para que o relatório alternativo fosse votado, mas Viana rejeitou o pedido. Ele justificou a decisão alegando que a comissão deveria ser encerrada conforme ordem do Supremo Tribunal Federal, que na quinta-feira havia negado a prorrogação dos trabalhos.
Documentos encaminhados às instituições
Carlos Viana anunciou que as cópias do relatório rejeitado serão enviadas ao Ministério Público Federal e ao Supremo Tribunal Federal para que as investigações prossigam fora da comissão. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que levará o documento da base governista à Polícia Federal.
O relatório alternativo, produzido pela base do governo, solicitava o indiciamento de 201 pessoas e incluía ex-presidente Jair Bolsonaro como comandante de suposta organização criminosa que fraudava descontos associativos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também era citado por organização criminosa.
Origem da investigação
A CPMI iniciou os trabalhos em agosto de 2025 para apurar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Posteriormente, expandiu as investigações para examinar supostas ligações do Banco Master com empréstimos consignados irregulares. Nas últimas semanas, a comissão enfrentou críticas após vazamentos de conversas pessoais de Daniel Vorcaro, dono do banco, obtidas de celulares apreendidos pela Polícia Federal.



































































































