A trajetória de Ubeimar Ríos Gómez, um professor colombiano de 55 anos, deu uma guinada cinematográfica inesperada. Sem qualquer experiência prévia em sets de filmagem, ele protagonizou o longa Um Poeta, de Simón Mesa, obra que conquistou o Prêmio Especial do Júri em Cannes 2025. O sucesso foi tamanho que Ríos decidiu pedir demissão da escola onde lecionava há três décadas para se dedicar integralmente à nova carreira artística.
Neste sábado (9), o agora ator concorre ao Prêmio Platino Xcaret, o “Oscar” do cinema ibero-americano, na categoria de Melhor Ator. Ele disputa o troféu ao lado de nomes de peso, como o brasileiro Wagner Moura — que já garantiu o prêmio pelo voto popular — e o argentino Guillermo Francella. Apesar da projeção internacional, Ríos mantém a humildade, afirmando que sua essência permanece inalterada, embora o ritmo de sua vida tenha se transformado drasticamente.
Além da atuação, o colombiano expandiu sua atuação para a televisão, apresentando o programa Colômbia verso a verso, na Señal Colombia. Em sua obra de estreia, ele interpreta um professor que tenta auxiliar uma aluna em situação de vulnerabilidade, um tema que reflete sua própria vivência no magistério. Para Ríos, o filme é um alerta sobre os impactos da pobreza na educação, ressaltando que, para muitos estudantes, a escola é, antes de tudo, um local de sobrevivência.
A 13ª edição da premiação, realizada em Cancún, destaca também a forte presença brasileira no cenário internacional. Além de Wagner Moura, produções como O Agente Secreto, Manas e o documentário Apocalipse nos Trópicos representam o país na disputa. O evento reafirma a importância do cinema ibero-americano, celebrando talentos que, como Ríos, utilizam a arte como uma ferramenta poderosa de transformação social e afetiva.












