Há duas décadas, o estado de São Paulo vivenciava um dos episódios mais brutais de sua história recente. Entre 12 e 21 de maio de 2006, ataques coordenados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma resposta violenta de agentes policiais e grupos de extermínio resultaram em mais de 500 mortes. Entre as vítimas dos chamados Crimes de Maio estava Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora Maria da Silva, executado com cinco tiros na Baixada Santista logo após o Dia das Mães.
O caso de Edson, um jovem gari de 29 anos, reflete a realidade de centenas de outras vítimas: jovens, negros e moradores da periferia. Segundo relatos, Edson foi abordado por viaturas policiais após uma pane em sua motocicleta e, posteriormente, executado enquanto estava encurralado contra um muro. Para Débora, a perda do primogênito não foi apenas uma tragédia pessoal, mas um ato de terrorismo de Estado. “Eles pagaram por uma guerra que não era deles”, desabafa a mãe, que define o ocorrido como uma retaliação estatal marcada pela impunidade.
Em resposta à dor e à falta de respostas do poder público, Débora fundou o movimento Mães de Maio, que se tornou uma referência internacional na luta por memória, justiça e combate à violência institucional. Duas décadas depois, a busca por responsabilização continua. Recentemente, o movimento, em parceria com a organização Conectas Direitos Humanos, denunciou à ONU a omissão do Estado brasileiro, destacando que, até hoje, nenhum agente foi devidamente punido e as famílias permanecem sem reparação adequada.







































































































