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Saúde

Fiocruz e UFMG divulgam terceira onda do ELSI-Brasil com dados sobre envelhecimento

Por Redação / Diário da Nação
28 de maio de 2026
em Saúde
4 mins read
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Fiocruz e UFMG divulgam terceira onda do ELSI-Brasil com dados sobre envelhecimento

📷 Marcello Casal JrAgência Brasil

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Vitória (ES) – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou nesta terça-feira (26) os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). Considerada uma das pesquisas nacionais mais abrangentes sobre envelhecimento no país, a iniciativa vai disponibilizar, em uma plataforma online, cerca de 100 indicadores ligados à saúde de pessoas com 60 anos ou mais.

Os números contemplam dimensões variadas: condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas, entre outros recortes. A leitura dos dados chama atenção para um ponto mais amplo do que a simples presença ou ausência de doenças. Afinal, envelhecer no Brasil envolve desafios que passam por estrutura urbana, relações sociais e segurança no cotidiano.

Medo de cair e insegurança na vizinhança

Um dos indicadores aborda a percepção do espaço urbano. Entre os idosos que vivem em áreas urbanas, 42,7% dizem ter medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas. O percentual expõe um problema estrutural com impacto direto na mobilidade, na autonomia e na participação social.

Esse receio aparece com força também quando o tema é violência urbana. O estudo mostra que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança muito insegura em relação à violência e à criminalidade. Em termos absolutos, isso equivale a aproximadamente 3,8 milhões de pessoas idosas vivendo sob medo e vulnerabilidade social.

Os dados indicam ainda uma variação por idade e sexo no medo de cair: entre as mulheres idosas, o índice chega a 50,5%, enquanto entre os homens é 31,9%. A preocupação cresce conforme aumenta a idade: 35,2% entre 60 e 69 anos, 47,1% entre 70 e 79 e 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais. Para a coordenadora do ELSI-Brasil, pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa, os resultados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades, com acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo.

Hipertensão e perda de capacidade funcional

A pesquisa destaca a hipertensão arterial sistêmica como uma das condições mais relevantes na saúde dos idosos. Com aferição domiciliar da pressão arterial, usando metodologia padronizada, o estudo identificou que 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com hipertensão — pressão a 14 por 9 ou acima disso. Na estimativa, são cerca de 11 milhões de idosos que precisam de avaliação clínica, diagnóstico e tratamento para prevenir desfechos graves, como infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e demência vascular.

A prevalência aumenta com a idade: 31,9% entre 60 e 69 anos e 40,1% entre pessoas com 80 anos ou mais. Diferentemente de outros indicadores, não houve diferenças significativas entre homens e mulheres. Como a hipertensão frequentemente é assintomática, os pesquisadores apontam a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar subdiagnóstico e complicações.

Outro eixo central do estudo é a perda da capacidade funcional. Os resultados indicam que 20,4% dos idosos brasileiros têm dificuldade para realizar pelo menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama. Segundo a pesquisadora, isso representa cerca de 6,5 milhões de pessoas com algum grau de limitação funcional, afetando não só a autonomia, mas também famílias, cuidadores e os sistemas de saúde e assistência social.

Na análise por gênero, a diferença aparece: 23,1% das mulheres têm limitação funcional, contra 17% dos homens. A progressão por idade é ainda mais marcada: a prevalência vai de 13,9% entre 60 e 69 anos para 44,2% entre idosos com 80 anos ou mais, conforme a explicação de Maria Fernanda.

Rede de apoio, treinamento e papel do SUS

Os dados também revelam fragilidades na rede de apoio. Entre os idosos com dificuldade para realizar uma ou mais atividades da vida diária, apenas 37,9% recebem ajuda. Esse percentual sobe com a idade: de 24,1% para 38,1% e 55,4% entre 60 a 69, 70 a 79 e 80 anos ou mais, respectivamente.

A pesquisa aponta ainda falta de treinamento para quem cuida. Somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento. O quadro evidencia a ausência de políticas estruturadas para formação e suporte a cuidadores familiares ou informais, sugerindo a necessidade de medidas integradas de cuidado de longa duração, apoio domiciliar e qualificação de quem presta cuidados.

O Elsi-Brasil reafirma o papel do Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais têm o SUS como única fonte de atenção à saúde. A cobertura é semelhante entre homens e mulheres e cai de forma discreta nas faixas etárias mais elevadas. A Estratégia Saúde da Família (ESF) também aparece como referência: 69,2% dos idosos brasileiros estão vinculados à iniciativa, o que corresponde a cerca de 22,2 milhões de pessoas. “Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável”, afirma a coordenadora.

Painel de indicadores e etapas do estudo

O painel de indicadores sobre envelhecimento, disponível na plataforma do ELSI-Brasil e lançado junto com a apresentação da terceira onda, oferece acesso público e ampliado a informações sobre múltiplas dimensões do envelhecimento no país. A ferramenta foi criada para apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil no monitoramento contínuo das condições de vida e das necessidades da população idosa brasileira.

O painel está alinhado à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Com uma visão que vai além da ausência de doenças, a proposta incorpora autonomia, capacidade funcional, segurança e condições ambientais como pilares para o bem-estar nas idades mais avançadas. Segundo os pesquisadores, a plataforma funciona como instrumento para enfrentar, com rapidez e integração, os desafios do envelhecimento da população brasileira.

A primeira pesquisa do ELSI-Brasil ocorreu em 2015-2016, a segunda em 2019-2021 e a terceira em 2023-2024. Com metodologia harmonizada internacionalmente, o estudo integra o grupo de principais pesquisas globais sobre envelhecimento e posiciona o Brasil como referência estratégica na produção de conhecimento científico sobre o tema.

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